Unicamp confirma caso de hepatite medicamentosa por uso do 'kit covid'

Correio Braziliense

Morador de São Paulo tem cerca de 50 anos e foi diagnosticado com o vírus há três meses. Ele não apresentava quadro de outras doenças

O Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP), identificou o primeiro caso de paciente que teve diagnóstico de hepatite medicamentosa relacionada ao uso do 'kit covid', o conjunto de remédios como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina. Pesquisas já mostraram que os medicamentos não têm eficácia contra o novo coronavírus, mas substâncias já chegaram a ser indicadas como política pública de saúde como "tratamento precoce". A relação entre esses medicamentos e a doença no fígado foi confirmada ao Correio pela Unicamp.

O paciente tem cerca de 50 anos e é morador de Indaiatuba, em São Paulo. Segundo a professora e médica da unidade de transplante hepático do HC, Ilka Boin, em entrevista coletiva divulgada pelo Instagram do hospital, o morador é atleta e não apresenta histórico de outras doenças. Ele foi diagnosticado com o vírus há aproximadamente três meses; um mês após fazer o uso do kit covid, zinco e vitamina D, ele começou a apresentar pele e olhos amarelados. Segundo o paciente, as substâncias foram consumidas por prescrição médica.

Sobre a descoberta da relação dos medicamentos ela acredita que o paciente tenha recebido a prescrição para uso, mas que ainda não é possível saber se o uso foi preventivamente ou precocemente, já na vigência dos sintomas: "Toda vez que se faz um diagnóstico desse, se faz a história clínica, então você conversa com o paciente para saber quais medicamentos que ele tomou nos últimos 30, 60 e 90 dias. Nesse antecedente, as únicas medicações são essas que fazem parte do 'kit covid'. Hoje o kit não são mais duas drogas. Tem pacientes oito ou nove medicamentos".

Ainda segundo a médica, o paciente chegou encaminhado de São Paulo já com a possibilidade de transplante: "Foi analisado os exames e a primeira hipótese foi de hepatite pós-covid, já que ele havia tido o vírus em dezembro. Ele começou a apresentar um quadro de fadiga, pele e olhos amarelos, e trouxe a biópsia de São Paulo, uma de janeiro e outra de fevereiro, apresentando a perda de dutos biliares, o que induz ao quadro de síndrome da perda dos dutos biliares, uma das características das doenças tóxico-medicamentosas.

Boin afirmou que ele não está internado e que está relativamente bem, mas ainda será necessário avaliar o caso e fazer novos exames para ver a necessidade do transplante de fígado. "Ele não tomou durante muito tempo, mas tem alguns pontos que faz com que a medicação leve a uma doença hepática toxico-medicamentosa. Pode ser alteração do metabolismo da própria pessoa, uma doença pré-existente que tava crescente e apareceu nesse contexto ou a causa da lesão".

Contraindicações

O presidente Jair Bolsonaro defende o uso do 'kit covid' ou 'tratamento precoce', embora diversas pesquisas científicas apontem que esses remédios não têm eficácia no tratamento de covid-19. A maior preocupação dos médicos intensivistas é o efeito colateral desses medicamentos em pacientes que evoluem para a forma grave da covid e que já estão com o funcionamento de órgãos vitais comprometidos.

De acordo com médicos de hospitais de referência, o uso do "kit covid" contribuem de diferentes maneiras para aumentar as mortes no país. Foi apontado ainda que o uso também mata de maneira indireta, ao retardar a procura de atendimento pela população.


Lavar as mãos
A lavagem deve ser feita frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.


Não tocar o rosto
Evite encostar as mãos não lavadas na boca, nos olhos e nariz. Essas são as principais portas de entradas do coronavírus no organismo.


Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
O ideal é usar cotovelo ou lenço. Se utilizar papel, jogue fora imediatamente.


Usar álcool em gel
Se não houver água e sabonete para lavar a mão, use o álcool gel 70%, que é eficiente para matar o vírus e outras possíves bactérias.


Evitar contato se estiver doente
Quem está com sintomas de doença respiratória deve evitar apertar as mãos, abraçar, beijar ou compartilhar objeto. Se puder, fique em casa.

Usar máscara se apresentar sintomas
Quem está com sintomas como tosse e espirro deve usar máscara mesmo sem o diagnóstico confirmado de covid-19.