Preocupação para presidenciáveis, abstenção é influenciada por idade e escolaridade, avaliam especialistas

Com a aproximação das eleições, as campanhas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL) tentam garantir que seus eleitores votem no dia 2 de outubro. Em 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou um número recorde de brasileiros aptos a votar que não foram às urnas.

Cientistas políticos disseram à CNN que a abstenção é um fenômeno em grande parte não capturado pelas pesquisas eleitorais. Eles analisam como esse aspecto pode influenciar o resultado final do pleito presidencial deste ano.

Em reunião na última terça-feira (13), Lula pediu a influenciadores que o apoiam para que incentivassem os eleitores a irem às urnas. O petista alertou para o “problema sério” que é o alto número de abstenções registrado em pleitos anteriores.

“É importante que a gente tenha uma mensagem para essas pessoas, porque a pessoa que não vota perde um pouco da autoridade de cobrar de quem foi eleito. É importante participar do processo, mesmo quem quer se abster de votar. Essas pessoas têm pensamento para a família, para o país, têm um desejo para o tipo de vida que quer para sua família, e isso está muito ligado ao tipo de política que pode ser feita no Brasil”, disse.

Conforme apurou o analista da CNN Kenzô Machida junto ao “QG” de Bolsonaro, a campanha do presidente mira em um alto índice de abstenções entre eleitores de Lula para projetar um resultado final mais acirrado do que as pesquisas eleitorais têm indicado.

Em comício na cidade de Londrina (PR) na última sexta-feira (16), Bolsonaro tentou incentivar seus eleitores a irem às urnas. “Eu peço a todos vocês que decidam, que participem, porque nós sabemos que lá na frente todos nós seremos julgados, não só pelas nossas ações, bem como pelas nossas omissões”, afirmou o presidente.

Abstenção é maior entre brasileiros de baixa escolaridade

As eleições de 2018 registraram índice recorde de abstenção. Entre os 174,3 milhões de eleitores que estavam aptos a votar, cerca de 30 milhões (20,32%) não foram às urnas.

À CNN, o cientista político Antonio Lavareda afirma que não há pesquisas que projetem fidedignamente a quantidade de eleitores aptos que não votarão em 2022. Segundo o especialista, visto que a abstenção confronta a legislação do país, os entrevistados não costumam confessar essa intenção.

Dados do TSE demonstram que em 2018 as proporções de homens (21%) e mulheres (20%) que não compareceram às eleições foram próximas. As discrepâncias aparecem quando são considerados outros recortes, como escolaridade e idade.

Entre o eleitorado analfabeto, por exemplo, a abstenção atingiu 50%. A taxa ficou em 29% entre os que leem e escrevem e em 22% entre os que iniciaram ou concluíram o ensino fundamental. Por outro lado, apenas 11% dos que completaram o ensino superior deixaram de votar. Os números não consideram eleitores que vivem no exterior.

Antonio Lavareda aponta que o candidato petista é o mais impactado por essa discrepância. “Ele tem uma grande concentração de votos nesses segmentos da população, de baixa escolaridade e renda. Então Lula é potencialmente o candidato mais atingido pela abstenção”, analisa.

Pesquisa Genial/Quest divulgada na última quarta-feira (14) mostra que Lula tem 52% de intenções de voto entre brasileiros que cursaram até o fundamental; e Bolsonaro, 26%. Entre os que concluíram o superior, o presidente tem 38%, e o ex-presidente, 34%. O levantamento entrevistou 2.000 pessoas presencialmente entre 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança, 95%.

A pesquisa TV Globo/Ipec divulgada na última segunda-feira (12) traz tendências semelhantes. Entre os que cursaram até o fundamental, Lula tem 55%, e Bolsonaro, 27%. No segmento dos que concluíram o superior, o petista tem 40%, e o presidente, 33%. O levantamento ouviu 2.512 pessoas presencialmente entre 9 e 11 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança da pesquisa é 95%.

Jovens e idosos concentram abstenções

O conjunto de dados do TSE mostra que o número de eleitores que não foram votar também varia conforme as faixas etárias. No público acima dos 70 anos, em que o voto é facultativo, a abstenção cresce consideravelmente. Entre 70 e 74 anos, por exemplo, é de 44,74%.

À CNN, o cientista político Bruno Carazza aponta que esse aspecto tende a impactar principalmente a votação de Bolsonaro. “Há uma predominância considerável entre bolsonaristas de eleitores de maior idade. E os eleitores acima de 70 anos são eleitores que não são obrigados a votar”, explica.

Assim como aqueles que têm mais de 70 anos, os jovens de 16 a 17 não são obrigados a votar. Dentre as faixas em que o comparecimento é obrigatório, o maior índice de faltosos está entre 20 e 24 anos, com 20,98%.

Lavareda reitera que a abstenção entre os mais velhos pode impactar o resultado final de Bolsonaro. Por outro lado, pontua que o elevado índice de não comparecimento entre os mais jovens tende a afetar Lula.

A mesma pesquisa TV/Globo/Ipec mostrou que, entre o eleitorado de 16 a 24 anos, Lula tem 46%, e Bolsonaro, 28%. Entre aqueles que estão acima dos 60 anos, o petista computa 49% contra 31% do candidato à reeleição.

A Genial/Quaest mostrou que a vantagem de Lula em relação a Bolsonaro é a mesma entre os que têm de 16 a 34 anos e aqueles que estão acima dos 60. Em ambos, o petista aparece com 45%, contra 32% do presidente.

As abstenções em 2022

Em grande parte, as abstenções são fenômenos não capturados por projeções e definidos por quesitos circunstanciais. Bruno Carazza menciona a violência política como fator que pode alavancar o número de brasileiros que não irão às urnas neste ano.

“Um fator que se soma neste ano é a questão do medo da violência. Essa é a eleição com ânimos mais acirrados da nossa história e entra em um clima de muita preocupação. E pode ser que tenha gente que esteja pensando em não ir votar por medo de confusão, medo de agressão. Pode ser que tenha esse efeito de última hora”, aponta

Lavareda recorda que a taxa de abstenção nas eleições gerais brasileiras normalmente gira em torno de 20%. Ele diz acreditar que em 2022 esse índice deve se repetir, com pequena variação para mais ou menos.

Bruno Carazza pontua que, apesar de os dados do TSE serem espelhos válidos para a análise das abstenções, os cadastros dos brasileiros junto à Justiça Eleitoral não são periodicamente atualizados, o que pode resultar em distorções nas projeções.

 

[CNN]


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