Sintesac cobra do governo mais atenção aos profissionais da Saúde que estão no combate à Covid-19

Antonio Muniz

A morte de quatro servidores da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), em menos de 20 dias e a contaminação de mais de 600 deixam os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Acre (Sintesac) profundamente preocupados.

Em entrevista ao programa RB Notícias, nesta terça-feira, na TV Rio Branco-SBT, o presidente interino, Jean Lunier e o presidente licenciado, Adaílton Cruz, cobraram do governo estadual e da Prefeitura de Rio Branco mais atenção aos colegas de trabalho, sobretudo os que estão no confronto direto com o Novo Coronavírus.

Eles lamentaram que no início da pandemia, em março, a maioria dos servidores não tinha sequer Equipamento de Proteção Individual (EPI) e os que foram contaminados não receberam o devido tratamento por parte do poder público. “Nossa reivindicações não são ouvidas”, afirmou Jean Lunier. 

A questão do equipamento de proteção foi, parcialmente, resolvida, mas  muitos dos profissionais contaminados pelo novo coronavírus, não tem acesso nem mesmo aos medicamentos. “Isso nos causa revolta e tristeza”, afirmou Adaílton Cruz.

No período de 20 de maio a 10 de junho, quatro profissionais de saúde, que estavam ajudando a salvar vidas, morreram e podem ter sido vítimas de protocolo equivocado. 

A técnica de enfermagem Sandra Melo da Silva, de 47 anos, morreu na manhã do dia 20 de maio, na UTI do Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), em Rio Branco, contaminado pela Covid-19.

Por meio de nota oficial, a Sesacre confirmou a morte e afirmou que a técnica e toda a equipe da UPA da Cidade do Povo, onde ela trabalhava, fizeram os testes de PCR para Covid-19.

Na madrugada de segunda-feira, 18,  ela foi transferida para a UPA do Segundo Distrito com baixa saturação de oxigênio, variando entre 32% e 34%. Teve de ser entubada e depois encaminhada à UTI do Into-AC, onde faleceu.

No sábado 6, a vítima foi o técnico em enfermagem Cláudio José Lopes de Araújo. Os medicamentos foram adquiridos por um biomédico, amigo de Cláudio e outros amigos da enfermagem. Além disso, houve atraso na transferência dele para uma UTI.

Na manhã de terça-feira, 9, foi a vez da enfermeira Mirian Montefusco. Ela morreu na UTI do Pronto Socorro de Rio Branco (Huerb). Miriam trabalhou na unidade há mais de 20 anos. Ela estava internada há mais de 30 dias. 

Nesta quarta-feira,10, o enfermeiro do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), Eudes Pinheiro, também foi vítima do novo coronavírus. Ele estava internado em uma UTI no Pronto Socorro há mais de duas semanas.

Na noite do dia 1 de junho, ele sentiu muita falta de ar e os colegas que prestavam atendimento ao mesmo pediram ajuda de familiares no sentido de pressionar a direção da unidade a autorizar a ida dele para uma UTI. Depois de muita pressão, Eudes foi transferido, já no início da madrugado do dia 2. Depois de oito dias ofegando e agonizando, não resistiu e morreu. 

Jean e Adaílton lembraram que todos os colegas de trabalho que morreram eram capacitados, responsáveis, dedicaram parte de suas vidas ao sistema de saúde e ajudaram a salvar várias vidas na luta contra o novo coronavírus, mas também acabaram endo vítimas.


Lavar as mãos
A lavagem deve ser feita frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.


Não tocar o rosto
Evite encostar as mãos não lavadas na boca, nos olhos e nariz. Essas são as principais portas de entradas do coronavírus no organismo.


Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
O ideal é usar cotovelo ou lenço. Se utilizar papel, jogue fora imediatamente.


Usar álcool em gel
Se não houver água e sabonete para lavar a mão, use o álcool gel 70%, que é eficiente para matar o vírus e outras possíves bactérias.


Evitar contato se estiver doente
Quem está com sintomas de doença respiratória deve evitar apertar as mãos, abraçar, beijar ou compartilhar objeto. Se puder, fique em casa.

Usar máscara se apresentar sintomas
Quem está com sintomas como tosse e espirro deve usar máscara mesmo sem o diagnóstico confirmado de covid-19.