Comandante do Exército suspende nomeação de ex-assessor de Bolsonaro pivô de crise

O comandante do Exército, Tomás Paiva, decidiu suspender a nomeação do tenente-coronel Mauro Cid para o comando do 1º Batalhão de Ações de Comando, em Goiânia.

A decisão foi tomada nesta terça-feira (24) após conversa entre Tomás e Cid. Segundo relatos feitos à Folha, o ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sugeriu o afastamento diante da crise militar após a queda do ex-comandante do Exército Júlio César de Arruda.

O Alto Comando do Exército foi comunicado da decisão durante reunião nesta terça. Com a mudança, Cid deve assumir um cargo burocrático no QG do Exército, em Brasília, e poderá concorrer novamente a um cargo de comando.

Em nota, o Exército disse que Cid fez uma solicitação de "adiamento do comando", que foi deferido.

A ideia principal, segundo generais ouvidos pela Folha, é que o tenente-coronel tente concorrer novamente ao cargo no batalhão em Goiânia no biênio 2025-2026 ou antecipe sua candidatura a outra função em 2024.

A situação de Mauro Cid começou a ser discutida na noite de sexta-feira (20) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.

Causou desconforto no governo o fato de Cid ser investigado pela Polícia Federal por transações suspeitas realizadas pelo tenente-coronel no período em que era ajudante de ordens de Bolsonaro, como revelou a Folha.

Investigadores identificaram no telefone do militar mensagens que levantaram suspeitas. Conversas por escrito, fotos e áudios trocados por ele e outros funcionários da Presidência sugerem a existência de depósitos fracionados e saques em dinheiro.

A movimentação se destinava a pagar contas pessoais da família presidencial e também de pessoas próximas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Com as suspeitas, Lula pediu a Múcio que tomasse providências para reverter a nomeação do militar. Apesar da ordem, o ex-comandante do Exército Júlio César de Arruda resistiu à mudança.

Diante da ordem não cumprida, o ministro da Defesa decidiu demitir Arruda e colocar o general Tomás Paiva no comando do Exército.

"Estou torcendo para que o general Tomás vá dizer ao presidente que vai fazer aquilo que o presidente deseja fazer. A gente precisa que agora, para que nasça esse clima de confiança, de que o outro saiba o que vai se fazer, é muito importante que essa iniciativa seja do Exército", disse o ministro à GloboNews antes da reunião.

"O general Tomás pediu para que ele tomasse à frente para decidir o que é que vai fazer [com o caso Cid]. Mas que tomará as providências e combinar comigo e com o presidente", completou.

A decisão foi bem recebida pelo Alto Comando do Exército, colegiado de 16 generais quatro estrelas, durante a reunião desta terça.

Em patentes mais baixas, no entanto, a avaliação corrente é que a queda de Cid configura uma interferência política de Lula na Força e tem poder para aumentar a insatisfação contra o presidente e generais.

O encontro do Alto Comando foi marcado pelo novo comandante da Força, general Tomás Paiva, ainda no domingo (22) para discutir a situação de Cid e dar novas diretrizes para os comandados.

De acordo com quatro generais ouvidos pela Folha, houve uma avaliação de que o Exército falhou na comunicação durante o período eleitoral. O generalato entende que perdeu o controle das informações com diversos ataques e notícias falsas sobre a Força que circularam nos últimos meses de 2022.

Por isso, Tomás definiu que o Exército terá uma postura mais proativa na comunicação interna, para evitar que notícias falsas sobre o comando sejam acolhidas pela tropa e contaminem a relação de hierarquia militar.

Eles citam como exemplo os ataques contra cinco generais do Alto Comando, chamados por bolsonaristas de "melancias", em falsa afirmação de que eles seriam comunistas.

Antes da reunião formal do generalato, que começou no início da tarde, os militares conversaram no cafezinho sobre o discurso de Tomás à tropa do Comando Militar do Sudeste, divulgado na última sexta, em defesa do respeito às urnas e à hierarquia e disciplina militar.

A publicação do vídeo pelos canais oficiais da Força gerou incômodo em alguns militares, que viram na gravação uma possível sinalização de Tomás ao governo de Lula que, diante do mal-estar com Arruda, ele poderia assumir a função máxima do Exército.

A interlocutores Tomás classificou o caso como uma infeliz coincidência. Ele ainda explicou que o discurso foi feito após o próprio Arruda, em reunião do Alto Comando na quarta-feira (18), ter pedido para que os generais reforçassem às tropas os princípios de respeito à hierarquia e disciplina aos comandados.

Durante a reunião do Alto Comando, os generais ainda trataram sobre o comandante militar do Planalto, Gustavo Henrique Dutra, alvo de processo de fritura dentro do governo.

A avaliação do generalato é que Dutra não cometeu erros e cumpriu as ordens dada pelo comando do Exército durante a crise dos acampamentos em frente ao quartel-general e não deve ser punido.

Há um acerto interno, no entanto, desde a gestão anterior, do general Marco Antônio Freire Gomes, para que Gustavo Dutra deixe a função após a próxima reunião do Alto Comando do Exército, em fevereiro. A justificativa é que o CMP (Comando Militar do Planalto) é o único chefiado por um general três estrelas e sua rotatividade é mais rápida, por ser um cargo muito disputado.

O caso do tenente-coronel Jorge Paulo Fernandes da Hora, comandante do BGP (Batalhão da Guarda Presidencial), também foi solucionado, como mostrou a Folha. Ele assumirá nova função no Estado-Maior do CMP, e o comando do batalhão passará a ser feito pelo tenente-coronel Nélio Moura Bertolino.


PASSO A PASSO DA CRISE MILITAR

Comandantes militares decidem deixar cargos antes da posse 
Os então comandantes Marco Antônio Freire Gomes (Exército), Almir Garnier (Marinha) e Carlos de Almeida Baptista Junior (Força Aérea) renunciam a seus cargos ainda em dezembro, o que foi lido como uma declaração de insubordinação e obrigou o então presidente eleito a acelerar a nomeação de novos chefes militares.

Lula escolhe Arruda para o comando
Antes de tomar posse, Lula anuncia Júlio Cesar de Arruda como comandante interino do Exército, escolhido em conjunto com José Múcio Monteiro, anunciado ministro da Defesa, e sob o critério de antiguidade, visando reduzir a interferência do governo nas cúpulas militares e desarmar a tensão criada pelas renúncias antecipadas.

Ataques golpistas geram atritos
Com a invasão da praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro, surgem atritos entre o governo federal e o Exército para a retirada dos acampamentos bolsonaristas. Enquanto o ministro da Justiça, Flávio Fino, defendia o desmonte das concentrações em frente aos quartéis, Múcio e a cúpula militar resistiam, afirmando não haver ameaça iminente nos locais. Os bolsonaristas foram removidos no dia 9 com decisão do ministro do Supremo Alexandre de Moraes.

Lula passa a manifestar desconfiança com militares
Após os ataques, Lula afirmou várias vezes que houve conivência das Forças Armadas com os criminosos. Em um café da manhã com jornalistas, o presidente afirmou que os militares não são "poder moderador como pensam que são" e expôs desconfiança com a segurança do Palácio do Planalto. O petista ainda elogiou José Múcio, apesar da fritura que o ministro sofria entre os aliados do presidente.

Presidente exonera militares do GSI e da segurança do Alvorada 
Seguindo o clima de desconfiança entre o governo e as Forças Armadas, Lula passa a demitir uma série de militares alocados em diversas áreas do governo, como o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e a segurança do Palácio da Alvorada. Apenas na semana passada, foram 84 os dispensados de postos no Planalto.

Arruda é demitido, e Lula escolhe novo comandante do Exército 
Com o acirramento de tensões entre o governo e o Exército, o presidente decide no sábado (21) exonerar o general Arruda e nomear o comandante militar do Sudeste, Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, como o novo chefe da Força.

 

[Folha Uol]


Lavar as mãos
A lavagem deve ser feita frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.


Não tocar o rosto
Evite encostar as mãos não lavadas na boca, nos olhos e nariz. Essas são as principais portas de entradas do coronavírus no organismo.


Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
O ideal é usar cotovelo ou lenço. Se utilizar papel, jogue fora imediatamente.


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Se não houver água e sabonete para lavar a mão, use o álcool gel 70%, que é eficiente para matar o vírus e outras possíves bactérias.


Evitar contato se estiver doente
Quem está com sintomas de doença respiratória deve evitar apertar as mãos, abraçar, beijar ou compartilhar objeto. Se puder, fique em casa.

Usar máscara se apresentar sintomas
Quem está com sintomas como tosse e espirro deve usar máscara mesmo sem o diagnóstico confirmado de covid-19.