Assassinato do governador Edmundo Pinto: 30 anos depois o crime que chocou o Acre e o Brasil continua em mistério

Antônio Muniz

Há exatos 30 anos o Acre amanhecia perplexo com a notícia do assassinato do governador Edmundo Pinto de Almeida Neto (PDS), com dois tiros de revólver 38, na suíte 704, do Hotel Della Volpe Garden, no centro de São Paulo (SP). À época os dois jornais diários do Acre - O RIO BRANCO e A Gazeta mobilizaram suas equipes para produzirem edição extra, uma vez que os jornais não funcionavam aos domingos. 

O relógio marcava pouco mais de 5h30m quando três homens entraram pelos fundos do luxuoso Hotel Dell Volpe Garden, centro de São Paulo (SP), invadiram a suíte 704 e atiraram por três vezes o governador acreano. Dois tiros acertaram Edmundo que ainda tentou se defender, mas sem chances. A manhã daquele domingo ficou marcada com muita tristeza por todos acreanos, notadamente pelos que acreditavam na revolução moral e ética defendida por Edmundo.

Em conversa com o jornalista Antonio Muniz, nesta terça-feira, 17, no programa Entrevista da Tarde, ao vivo, na TV Rio Branco-Cultura, o ex-vereador Rodrigo Pinto, filho do saudoso governador, relembrou, com tristeza profunda a morte do pai e lamentou que 30 anos do assassinato o crime ainda seja um mistério, apesar de a Policia Civil de São Paulo afirmar que o saudoso governador foi vítima de latrocínio, que é roubo seguido de morte.

Eleito, em segundo turno, no dia 30 de novembro, em segundo turno, após disputa acirrada no primeiro turno com o candidato do PT, Jorge Viana, Edmundo chegou ao posto mais alto da política acreana aos 38 e sonhava estabelecer um grupo político pronto para governar o Acre pelos próximos 20 anos. No entanto, teve tempo apenas um ao e dois meses para governar o Acre, pois tomou posse em uma manhã chuvosa do dia 15 de março de 1991.

 

Trinta anos depois, o assassinato de Edmundo, até hoje, é envolvido no mais absoluto mistério. A Polícia Civil de São Paulo, por meio do delegado Nélson Guimarães, que foi presidente do inquérito, concluiu que se tratava de latrocínio – roubo seguido de morte – prendeu os supostos envolvidos no caso, mas até hoje, nem os acreanos, nem a maioria dos brasileiros se convence de tal versão.

O então governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho (MDB) tratou o caso com prioridade no sentido de investigar o crime e identificar os culpados diretos e indiretos. Tanto que nomeou o delegado Nelson Guimarães, da Divisão de Homicídios para presidir o inquérito policial. Ele tinha mais de 30 anos de experiência é era tido como um dos mais competentes no assunto. O governador também pediu apoio do Polícia Federal.    

 

Ao assistir uma reportagem especial do jornalista investigativo João Leite Neto, que à época era repórter especial do SBT, Rodrigo se vence cada vez mais que foi um crime encomendado.

A reportagem de João Leite Neto mostra, de foram claras e objetivas, as contradições das investigações, a versão da polícia e algumas atitudes do jornalista. Ele foi ao apartamento ao lado do 704 e efetuou dois disparos e todos que assistem ao vídeo percebe, claramente, as contradições. Um dos três envolvidos, Edilson Alves do Carmo, afirma que quem efetuou os disparos foi Gilson José da Silva. 

A reportagem mostra ainda que impossível eles terem acesso ao Hotel sem ajuda de alguém do estabelecimento. “Estava tudo combinado. Poderíamos derrubar o prédio e eles não iriam escutar nada”, afirmou Edilson. Ele afirmou ainda que Gilson receberia US$ 200 mil dólares para matar Edmundo e ele para ajudar seria recompensado com  US$ 20 mil dólares. Eles nos garantiram que faríamos pouco tempo na prisão e depois ganharíamos a liberdade”, afirmou.                                          

Alguns jornalistas especialistas em reportagens investigativas, afirmam que o inquérito da Polícia Paulista, que concluiu pelo latrocínio, é cheio de falhas. A polícia divulgou para a imprensa que o primeiro tiro atingiu o governador de raspão, na cabeça, e que o segundo disparo acertou seu peito, matando-o.

Ainda segundo Rodrigo Pinto, a análise do inquérito e das fotos mostra o contrário. O primeiro tiro, à queima-roupa, bem em cima do coração, matou o governador quando ele ainda estava deitado. Foi o segundo disparo que raspou sua cabeça. Além do mais, há informações de que os matadores se encontraram com pessoas importantes antes do crime.

Tudo indica que a visita de Edmundo Pinto a São Paulo foi manipulada. Há ainda informações de que Edmundo Pinto estava disposto a cancelar o contrato para as obras do Canal da maternidade, que teve licitação vencida pela construtora Norberto Odebrecht. 

Outro fato importante é que a conclusão dos policiais de que foi um latrocínio é baseada em um depoimento de um dos condenados pelo crime, Gilson José dos Santos. Mas Gilson deu mais três depoimentos para pessoas diferentes dizendo que fora contratado para matar Edmundo Pinto. Um dos depoimentos foi gravado, para a CPI da Pistolagem, na Câmara Federal, mas até hoje não chegou à Polícia Civil de São Paulo.

A família Almeida-Pinto continua enlutada. O Acre ainda almeja o desfecho de um crime que chocou desde o cidadão mais comum ao aristocrata. Há 30 anos, o advogado e Governador Edmundo Pinto de Almeida Neto, foi assassinado, bem próximo de completar 40 anos de idade. A triste história que parou e chocou o Acre, que virou manchetes de jornais do país, serviu como objeto de estudo de investigadores renomados, de documentário na Netflix, porém, sem responder a infinitas indagações.  

Um domingo de sangue e lágrimas

Era manhã de domingo, 17 de maio de 1992, Edmundo Pinto descansava num quarto de hotel, em São Paulo e, no dia seguinte viajaria a Brasília (DF) para restar depoimento à CPI do FGTS, instalada na Câmara Federal para investigar supostas irregularidades na libração e aplicação de recursos do Fundo de Garanti por Tempo de Serviço.

A pauta do encontro consistia em averiguar denúncias de que o então ministro do Trabalho, Antônio Rogério Magri, havia recebido a quantia de US$ 30 mil dólares para superfaturar a construção do Canal da Maternidade, em Rio Branco, hoje parque da Maternidade. 

O relógio marcava pouco mais de 5h30m quando três homens invadiram o apartamento 704 do luxuoso Hotel Dell Volpe Garden, centro de São Paulo (SP), e atiraram por três vezes. Dois tiros acertaram o executivo que ainda tentou se defender, mas sem chances. Edmundo morreu.

Latrocínio ou crime encomendado?

Para sustentar a tese de latrocínio (roubo seguido de morte), a Polícia Civil de São Paulo investigou que os criminosos roubaram Cr$ 500 mil cruzeiros do apartamento que o governador ocupava no hotel. Os mesmos criminosos teriam roubado US$ 1.500 dólares de John Franklin Jones, um americano executivo de um banco interfacial que estava hospedado no apartamento 714. 

Jones acabou sendo intimado à depor. Segundo depoimento prestado pelo americano, três homens aparentemente jovens e de estatura mediana teriam entrado nas dependências do hotel. Posteriormente, os acusados foram presos. Um deles, Gilson José da Silva, foi intimado à também prestar depoimento sobre o caso e informou ter recebido dinheiro para cometer o crime.

A tese de crime político 

Em 1993, o governador de São Paulo, à época, Luís Antônio Fleury Filho mandou reabrir o inquérito a pedido da viúva, Fátima Almeida e da bancada acreana no Senado. A tese de crime político reacendeu sobre o caso, mas a Polícia Civil garante ter sido latrocínio.

O ex-vereador Rodrigo Pinto, que tinha apenas 12 anos quando o pai foi assassinado, deu detalhes do que se lembra à época. Ele citou que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou violência e sinais de tortura no corpo do governador acreano. 

“Embalsamaram o corpo do meu pai, blindaram o corpo dele, impossibilitando que víssemos as atrocidades que fizeram com ele”, afirmou Rodrigo. Ele mora em Dubai, nos Emirados Árabes, mas veio ao Brasil para recebeu uma comenda, no Rio de Janeiro (RJ) e assistir à missa do trigésimo aniversário da morte de seu pai.

A vitória de Edmundo Pinto sobre o petista Jorge Viana

Tudo como deputados mais atuante na Assembleia legislativa, tanto do pinto de vista político, quanto nas ações parlamentares nas comissões técnicas permanentes, nas comissões especiais e nos grandes debates em plenário, acabaram credenciando o jovem deputados à disputa do Governo do Acre. A homologação do seu nome na convenção do PSD, em 1990, possibilitou a disputa contra Jorge Viana (PT), outro jovem que nasceu no berço da Arena, mas projetou-se politicamente como assessor no governo do emedebista Flaviano Melo 

Pinto foi eleito em segundo turno, derrotando o candidato do PT, ele foi o 12° governador eleito do Acre. Em 1990, Edmundo, a exemplo de Gladson Cameli, em 2018, foi o único candidato do PSD a ser eleito governador. De fato, ele assumiu o Palácio Rio Branco no dia 15 de março de 1991. Antes dele, Flaviano Melo era governador, mas se afastou para ser candidato ao Senado e em seu lugar assumiu o vice-governador Edson Cadaxo, também do MDB, que abriu as portas do governo e possibilitou uma transição tranquila e pacifica.

Onde estão os familiares 30 amos depois?

A viúva de Edmundo Pit, dona Fátima Almeida, mora no Rio de Janeiro. Os filhos Rodrigo, Pedro e Nuana moram e trabalham em Dobai, nos Emirados Arabes.

O pai, seu Pedro veras, morreu há anos, vítima de câncer. A mãe dona Angelina, tem 86 anos e enfrenta vários problemas de saúde e talvez não tenha condições físicas para ir à missa esta noite, na Catedral Nossa Senhora de Nazaré. Ela fez cirurgia e recupera-se em uma cadeira de rodas.

Dos três irmãos de Edmundo, apenas a professora aposentada e funcionária da Câmara de Rio Branco, Ângela Veras encontra-se em Rio Branco.

A outra irmã, também professora aposentada, Francisca Veras, comprou passagem para conhecer Israel, mas em função da Pandemia, somente agora é que ela pode viajar.

Pedro veras, o irmão mais velho, é funcionário público federal e mora em Fortaleza (CE).

Por Nossa terra, Por nossa Gente!

Com apenas um ano, dois meses e dois dias, Edmundo fez uma verdadeira revolução moral e petica nos procedimentos políticos e administrativos do Acre, como ele sempre falava nos comícios nos programas de rádio e televisão.

Edmundo assinou a emancipação de 10 novos municípios acreanos, concluiu   o processo de criação do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE), concluiu o asfaltamento da BR-364 (Rio Branco - Porto Velho), deu início ao Aeroporto Internacional de Rio Branco, investiu em Estações de Tratamento de Esgoto, levou energia elétrica a várias invasões em Rio Branco, hoje tratadas como ocupações e dezenas de comunidades rurais e inaugurou várias escola e centros de saúde. Ele fez jus ao slogam de sua vitoriosa campanha: “Por Nossa terá, por Nossa Gente! ”. No governo, ele adotou o slogam: “Trabalho: o caminho da Integração”.


Lavar as mãos
A lavagem deve ser feita frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.


Não tocar o rosto
Evite encostar as mãos não lavadas na boca, nos olhos e nariz. Essas são as principais portas de entradas do coronavírus no organismo.


Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
O ideal é usar cotovelo ou lenço. Se utilizar papel, jogue fora imediatamente.


Usar álcool em gel
Se não houver água e sabonete para lavar a mão, use o álcool gel 70%, que é eficiente para matar o vírus e outras possíves bactérias.


Evitar contato se estiver doente
Quem está com sintomas de doença respiratória deve evitar apertar as mãos, abraçar, beijar ou compartilhar objeto. Se puder, fique em casa.

Usar máscara se apresentar sintomas
Quem está com sintomas como tosse e espirro deve usar máscara mesmo sem o diagnóstico confirmado de covid-19.