Morre aos 87 anos dona Loudes Carioca fundadora da Associação Irineu Serra

Antonio Muniz

Morreu na madrugada desta sexta-feira, 10, na Unidade Semi-Intensiva da Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), dona Maria de Lourdes da Silva Carioca, 87 anos. Mae do diretor da Rádio Aldeia FM, emissora do Sistema Público de Comunicação, jornalista Jairo Carioca, dona Lourdes, era membro da Doutrina do Santo Daime há 63 anos e fundou, em 1989, a Associação de Moradores da Vila Raimundo Irineu Serra, fortalecendo o movimento comunitário da região. Natural de Macau, no Rio Grande do Norte, dona Lourdes, a brava nordestina incentivou a introdução da musicalidade dos hinos da doutrina fundada pelo Mestre Irineu. Não por acaso, recebeu das mãos dele o primeiro violão, formando ao lado de madrinha Peregrina e outros irmãos, a primeira equipe de músicos. Parte integrante da Comissão de Cura da Doutrina, prestou relevantes serviços, ajudando nas ações de assistência espiritual. Na condição de líder comunitária, levou com apoio da prefeitura de Rio Branco e o Governo do Estado, a iluminação pública para a região, estrada, transporte coletivo e outras ações que estimularam a união dos moradores.

Ela integra a história de migração dos nordestinos para o Acre. Veio com a família, em 1944, de Navio para a Amazônia, passando a residir a partir desta data em Rio Branco. Na capital conheceu Júlio Chaves Carioca com quem casou-se em 22 de fevereiro de 1950, formando a conhecida família Carioca. 

Fez Bodas de Ouro de casamento no ano de 2000. Deixa 30 netos, 40 bisnetos e 2 tataranetos. O Corpo está sendo velado no Centro de Iluminação Cristã Luz Universal Alto Santo, na estrada Raimundo Irineu Serra. O sepultamento ocorrerá amanhã às 7 horas da manhã, no Cemitério da comunidade. Nos últimos dias, Jairo Carioca em compartilhado com ouvintes e seguidores, o diário de dona Loudes, no hospital. Às 6h da manhã desta sexta-feira, hora em que Jairo costuma sair de casa para apresentar o programa “Cidadania”, na Rádio Aldeia-FM, ao lado dos jornalistas Jonathan Costa ou Floriano Oliveira, airo escreveu: “Comunico, com pesar, a passagem espiritual de minha querida mamãe, dona Lourdes da Silva Carioca, aos 87 anos”.  E continuou: “Vai com Deus minha mãe guerreira para os braços do Pai Celestial. O velho Carioca deve estar em festa te esperando para dar um forte abraço de reencontro. A lembrança que fica são essas de nossas caminhadas. Tu és nossa mãe eternamente...

Na manhã de sábado, 04 de setembro, Jairo escreveu o último texto para compartilhar, com seus seguidores e amigos, o drama vivido por ele e os demais membros da família Carioca, principalmente, filhos, netos, bisnetos e tataranetos.

Lições de um plantão!

Temos nos revezado em família no apoio necessário para esta fase difícil que dona Lourdes Carioca atravessa e todos nós filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Nessas horas, um filme longa-metragem é exibido em nossos pensamentos durante as horas que nos dedicamos no olhar atento à medicação, saturação, batimentos cardíacos, pressão arterial, tudo precisa ser monitorado. 

Um olhar a cada cinco horas com uma rápida abertura dos olhos por dona Lourdes, nos faz acreditar em vida, recuperação. O que para uns é sinal de esperança, para outros, apenas o complemento de um ciclo. O debate entre a vida e a morte. Maria Damião narra a luta entre o espírito e a matéria. 

Cientificamente mamãe busca o reequilíbrio do organismo, segundo o seu Dorival, enfermeiro chefe do Hospital do Idoso, isso ocorre devido à pressão osmótica gerada pelas proteínas no plasma sanguíneo. Mamãe tem excesso de sódio no sangue. Daí o inchaço nas pernas, braços e mãos e a falta de ânimo (respostas aos comandos). A recuperação que em uma criança ocorre mais rápido, no caso dela, com 87 anos será lenta. Tem sido lenta, gradativa, as vezes até imperceptível, mas, vem acontecendo graças a Deus. A infecção que provocou esse impacto foi finalmente controlada, o quadro nos últimos dois dias é estável, com uso de oxigênio. Nosso apoio como acompanhantes é fundamental, vai além do carinho entre mãe e filho. Aí é que passa toda a nossa história nesses instantes em que o instinto da sobrevivência nos faz sofrer e acreditar que espírito e matéria, vida e morte, a busca pelo equilíbrio se expressam por um lado e outro da barreira.

Tudo se completa, essa é a grande verdade.

Estamos vivos nos dirigindo para um outro aspecto de vida também vivido por dona Lourdes. O molhar dos lábios ressecados, a mudança na altura das pernas, dos braços vai ocupando espaço no sentimento e na razão ao mesmo tempo. É aqui, no leito de um hospital, no vai e vem de pacientes, uns entubados, outros apenas acamados, enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, serventes, que percebemos que cada minuto de nossa existência tem um valor de um passo à frente. 

Vivi uma experiência útil para sempre 

Uma união constante que nos faz acreditar que devemos estar acordados tanto para vida, quanto para a morte. Essa é a batalha do cotidiano, é como um alerta para o gesto que fazemos ao entrar e sair pela porta de nossa casa todos os dias. Agradecemos a todos que têm ajudado longe daqui, no aconchego de suas casas, nas Igrejas, nos templos, nas sedes, com orações, rogos, rezas, independente de credo ou religião os pedidos têm sido tantos, cremos que ela vai voltar ao seu lar para mais uns dias que Deus determinar nos dando ainda muitas alegrias.

Agradecimentos especiais à todas equipes de médicos, médicas, enfermeiras, enfermeiros, desde a Santa Casa de Misericórdia, à equipe do doutor Laerte no Pronto Socorro, à equipe especial do Hospital do Idoso, comandada pelo superintendente João Paulo e o enfermeiro chefe Dorival.


Lavar as mãos
A lavagem deve ser feita frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.


Não tocar o rosto
Evite encostar as mãos não lavadas na boca, nos olhos e nariz. Essas são as principais portas de entradas do coronavírus no organismo.


Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
O ideal é usar cotovelo ou lenço. Se utilizar papel, jogue fora imediatamente.


Usar álcool em gel
Se não houver água e sabonete para lavar a mão, use o álcool gel 70%, que é eficiente para matar o vírus e outras possíves bactérias.


Evitar contato se estiver doente
Quem está com sintomas de doença respiratória deve evitar apertar as mãos, abraçar, beijar ou compartilhar objeto. Se puder, fique em casa.

Usar máscara se apresentar sintomas
Quem está com sintomas como tosse e espirro deve usar máscara mesmo sem o diagnóstico confirmado de covid-19.