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Todos são nanicos

                               
.                                                  Em terra de anões que chega a 1,40 de altura se considera como um gigante.
Nossa estrutura partidária chegou a tal ponto que o PMDB com apenas 13% de representantes no nosso Congresso Nacional continua fazendo e acontecendo, diria até, mandando e desmandando,  independente de quem estiver no poder e do partido que venha pertencer. Tudo isto, graças a sua condição de maior partido do nosso país.  
Para que isto pudesse acontecer, a nossa desenfreada fragmentação partidária foi determinante, afinal de contas, o que de pior poderia acontecer, aconteceu, até porque, não seria com a proliferação dos chamados partidos de aluguel, ou como se queira, dos partidos “faz de conta” que a nossa estrutura partidária nem a nossa própria democracia iria se fortalecer. E o mais grave: não fosse a dinheirama do fundo partidário, mais da metade dos nossos partidos políticos sequer existiriam. Lamentavelmente, o Estado brasileiro tem sido o principal responsável pelo enfraquecimento e pela desmoralização dos nossos partidos políticos. 
Dos 35 partidos existentes em nosso país, 30 deles contam com representantes na nossa mais importante Casa parlamentar, ou seja, no nosso Congresso Nacional. Pior ainda: na fila esperando que o TSE-Tribunal Superior Eleitoral os autorizem a entrar no nosso forrobodó partidário, mais de uma dezena de outros novos partidos estão prestes a se estabelecerem, e se atendidos, não tardará a chegarmos aos 50.  
Verdade seja dita: nossa democracia encontra-se alicerçada numa estrutura partidária indiscutivelmente desaconselhável. À propósito, em nenhuma das respeitáveis democracias do mundo vamos encontrar similitudes com a nossa, mormente, quanto se trata da quantidade dos seus partidos políticos. Lá prevalece a qualidade. Cá a quantidade. Lá, partido político é coisa séria. Cá, instrumentos de conveniências. 
A crise, melhor dizendo, as crises que ora estamos enfrentando, tem tudo a ver com a ausência de partidos políticos, e como conseqüência, de líderes à altura de enfrentá-las, até porque, o pior veneno contra uma crise de natureza econômica, e a história está aí à comprovar, é quando a ela vem se somar uma crise de natureza política. 
Se a presidente Dilma Rousseff se reelegeu prometendo uma coisa e esta fazendo outra e se seu principal opositor, Aécio Neves, não soube ganhar as eleições e menos ainda soube perder, dada a gravidade das nossas crises, nada justifica que estejamos vivendo como se estivéssemos na travessia de um período pré-eleitoral, justamente o período em que a disputa pelo poder, aí sim, poderia se constituir no principal assunto da nossa agenda política. 
Sem dúvidas, somos uma democracia desprovida daquilo que mais poderia fortalecê-la, no caso, de partidos políticos propriamente ditos, e de uma abundância de siglas que tão somente a enfraquece. 
A despeito de tudo isto, a nossa tão esperada, sonhada, urgente e necessária reforma político-partidária-eleitoral continua sendo empurrada, propositadamente, por quem poderia promovê-la: nossos congressistas. 

 

 

 

 

 

 

 

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