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Sistemas arruinados

Sistemas arruinados 

Na política e na educação, institucionalmente, nossos sistemas já se revelaram os piores do mundo.

        O Brasil nunca ganhou um prêmio Nobel, e em nenhuma das várias modalidades que é ofertado. A despeito disto, ostentamos a condição de sermos o único país do planeta pentacampeão mundial no futebol. Primeiro paradoxo: os brasileiros relembram e continuam sofrendo muito mais pelas derrotas que sofremos nas copas de 1950 e 2014 que pelo fato de nunca havermos conquistado um prêmio Nobel. Eis a questão! Sobre a nossa inadequada e fosforizada legislação político eleitoral, uma das minhas cachaças, oportunamente, voltarei a falar.              

         É da baixa qualidade no nosso ensino, e em todos os seus níveis, do bê-a-ba aos canudos, que tentarei tratar, até porque, com toda sua pobreza e atraso, o continente latino-americano já contabiliza nada menos de 15 laureados com o Nobel. Nesta disputa perdemos de zero para Argentina, México, Chile, Guatemala, Colômbia e Costa Rica.    

         Instituído nos anos 1900, de lá para cá, o Nobel já laureou 876 personalidades no ramo da física, medicina, literatura, química, economia e nos esforços pela paz. A Argentina ganhou cinco deles: dois da Paz, dois em Medicina e um em Química. Os EUA, sozinhos, já se fizeram merecedores de 338 prêmios Nobel. 

         Não reconhecer a importância e o prestígio que o prêmio Nobel confere aos seus laureados e aos sistemas educacionais de seus respectivos países só o faz quem, na vã tentativa de defender o indefensável, no caso, o nosso caótico sistema educacional. Enfim, extraímos das diversas pesquisas do Pnad a face mais cruel do nosso atraso sistema educacional, qual seja, a taxa de analfabetismo de nossa população. Isso mesmo. 13.600.000 brasileiros com mais de 15 anos de idade só conseguem ler pequenos trechos soletrando, e quase o dobro, os chamados analfabetos funcionais, não conseguem interpretá-los de forma crítica e contextualizada.

         Outra mentira que vem se arrastando ao longo dos tempos, é aquela que sugere a escassez de recursos que garantam uma melhor qualidade do nosso ensino. Segundo o EAG-Educação em foco, entre todos os países da OCDE-Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o nosso país é o que mais gasta em educação. Desta feita, há que se pôr fim na discurseira que insiste responsabilizar a falta de investimentos a má qualidade de nossa educação pública.

         Não. O Brasil não gasta pouco com sua educação pública, e sim, gasta mal e porcamente.  

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