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Estamos enfrentando uma tempestade perfeita?

Economicamente falando-se, o Brasil está vivendo, e sabe-se lá até quando, a pior crise de sua história, até porque, tudo que deveria crescer só vem diminuindo e tudo que deveria diminuir só vem crescendo. Nossa inflação, por exemplo, por vários anos esteve ao redor dos 4,5% ao ano, está flertando com dois dígitos. Nossa taxa de desemprego que em 2013 era de 4,9% já está tangenciando os 8% e com viés de alta. Nosso endividamento público, pasmem, está se aproximando dos três trilhões de reais.

Se tudo isso ainda não bastasse, nossa carga tributária já chegou a 36,% do PIB e só se fala em se criar novos impostos, contribuições e taxas, quando não, em aumentar os percentuais dos já existentes. Nossa moeda, o outrora valorizado real, coitadinho dele, só nos últimos dois anos, perdeu metade do valor de compra quando comparado como suas excelências: o dólar americano e euro.  

Não há um único parâmetro da nossa macro, média e micro economia que não esteja mal das pernas, ou seja, cambaleando. Este ano, nosso PIB-Produto Interno Bruto, está ameaçado de encolher 3%. E o mais grave: o Brasil já não coube no seu orçamento de 2014, não caberá no de 2015, e menos ainda irá caber no de 2016. Os demais entes da nossa federação, Estados e municípios, estão agonizando, e não apenas, aqueles tidos e havidos como periféricos, a exemplo dos empobrecidos das regiões norte e nordeste do nosso país.

O Estado de São Paulo, segundo consta, a locomotiva da economia do nosso país, já está acumulando uma dívida pública que chega a ser, uma vez e meia  superior às suas próprias receitas. O município de São Paulo, pior ainda. Os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais estão atolados em dívidas. O Rio Grande do Sul, o mais endividado de todos, sequer está conseguindo pagar com regularidade os seus próprios funcionários.  

Se a gastança dos nossos recursos públicos vem de muito longe, após a promulgação da nossa atual constituição, mais ainda. De lá para cá, governos e parlamentos, em todos os níveis, sem medirem as consequências das suas irresponsabilidades fiscais foram criando despesas como se os sacos de seus respectivos tesouros não tivessem fundos. Roberto Campos, um dos mais ilustres entre todos os nossos constituintes, senão o mais ilustre, inúmeras vezes ocupou a tribuna da nossa Assembléia Nacional Constituinte para chamar a atenção dos seus pares. Repetia ele: “Tudo leva a crer que vamos dotar o nosso país de uma carta de boas intenções, porém, inexequíveis”.

 Nada contra a social democracia, até porque, se não existe regime político perfeito, ela vem ser o menos imperfeito, conquanto que, se conduzida com responsabilidade fiscal.

Se estamos enfrentando, política e economicamente, o que se convencionou chamar de tempestade perfeita, ou mais que isto, se já nos encontramos no olho de um furacão, reclame-se de tudo, menos da falta de avisos. Lembremos um deles: os caminhos que levam ao inferno são pavimentados de boas intenções. 

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