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Sem reparos

Sem reparos

Não adianta discutir financiamento de campanha antes da revisão do sistema político-eleitoral.

Gilmar Mendes – Ministro do STF.

 Engana-se quem pensar que o petrolão será o último grande escândalo de nossa história. Seguramente não será, a não ser que, uma ampla e radical reforma político seja feita e faça chegar à lixeira de nossa história a nossa atual legislação eleitoral, e junto com ela, todos os partidos políticos atualmente existentes, até porque, se nossa legislação eleitoral favorece a corrupção, todos os seus frutos, e em particular, os nossos partidos políticos, porque derivados dela, estão contaminados com o vírus da corrupção.

Quem são se lembra do mensalão? Dele se dizia que nada igual voltaria a acontecer. Lá atrás se fazia o mesmo juízo do escândalo que resultou no impeachment do então presidente Collor. Que o petrolão é uma versão ampliada quando comparado com todos os escândalos já ocorridos em nosso país, não resta à menor dúvida, mas nada isenta que outros escândalos, ainda piores, possam acontecer, até porque, não é a Política Federal, o Ministério Público, a presidência da República e nem da própria justiça que detém poderes para eliminar as causas  que os provocam, é sim, uma responsabilidade do nosso estamento político, ou seja, do nosso Congresso Nacional, mas este, por sua vez, não pretende, e ainda que  pretendesse, perdeu a autoridade política e moral para fazer a reforma política que o Brasil vem recorrentemente reclamando.

Politicamente, não somos um país civilizado, e a provar que não somos bastaria que observássemos a composição de nosso Congresso Nacional. Lá serão encontrados representantes de 28 partidos políticos diferentes. Como o presidente da República, seja ele quem for, presentemente, a presidente Dilma Rousseff, conseguirá compor sua maioria parlamentar? Resposta única: cedendo as pressões, e nalguns casos, as chantagens partidárias? Não tem outro jeito. Ou dá ou desse.

Dizem que a presidente Dilma Rousseff não tem jogo de cintura. Será que sua cintura é tão dura assim ou ela apenas tem feito o que pode no sentido de evitar o aparelhamento partidário do seu governo?

Tivéssemos uma estrutura partidária decente, e a nossa, de fato, é indecente, jamais a nossa máquina pública seria esquarteja para atender os interesses deste ou daquele partido. Acontece que, se dos males o menor, para a formação de sua base parlamentar, o presidente Da República, e o mesmo acontece com os governadores e prefeitos, veem-se obrigados a nomear para funções importantíssimas, elementos do tipo Paulo Roberto da Costa, o pivô de petrolão, este indicado pelo PP, da mesma forma que, no escândalo de mensalão, o PTB do então deputado federal Roberto Jeferson havia indicado alguns diretores dos Correios. E deu no que deu!

Não é a natureza do financiamento das campanhas eleitorais, se público ou privado, que favorece a corrupção, é sim, a existência de partidos políticos, em grandes quantidades e baixíssimas qualidades, que alimenta a corrupção.

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