Colunistas

Quanta insensatez!

Quanta insensatez!

Os filhos de pais ricos estudam nas boas faculdades públicas, e os de pais pobres, nas fabriquetas de doutores.  

 

Além de ruim, nossa estrutura de ensino tem se revelado profundamente injusta. E o mais grave: nada que deveria ser feito no sentido de melhorá-la, tem prosperado, até porque, em torno deste tema orbita as mais diversas corporações e seus respectivos interesses, entre eles, decerto, o principal deles, a dinheirama que financia sua caríssima estrutura. Foquemos um deles: enquanto os filhos de pais abastados, nos níveis preparatórios, fundamental e médio, preparam-se nas boas escolas particulares, carimbam seus passaportes que lhes dão acesso às boas faculdades públicas, os filhos de pais pobres se preparam nas precaríssimas escolas da nossa rede pública, estas por sua vez, sabidamente incapazes de preparar seus alunos para enfrentar o vestibular ou o ENEM.

         Ensino gratuito, notadamente, no nível superior, para quem poderia pagar, diria até, para quem não se negaria a pagar é, certamente, apenas mais um, entre tantos absurdos com o qual a nossa estrutura educacional, mansa e pacificamente, acostumou-se a conviver, e o mais impressionante ainda, sempre contando com o irrestrito apoio das corporações pertinentes ao setor, em particular, os sindicatos dos professores.

         Faculdade gratuita para os alunos que não podem pagar, sem dúvidas, além de necessário é desejável. Faculdade gratuita para quem pode pagar, para os chamados filhinhos de papai,  sinceramente, não. Até porque, por mais estranho e irônico que possa parecer, boa parte dos recursos que deveriam estar sendo direcionados para melhorar os salários dos nossos professores, diga-se de passagem, uma das suas mais justas reivindicações, continua sendo desviada para bancar o estudo de alunos não carentes. 

         Na tentativa de corrigir tamanha distorção, o governo federal instituiu o PROUNI e o FIES, decerto, na suposição que, além de permitir o acesso dos estudantes nas universidades, ampliaria quantitativa e qualitativamente, o nosso plantel de doutores. Infelizmente, quantitativamente sim, mas qualitativamente não, afinal de contas, as faculdades particulares passaram a tratar tais programas, prioritariamente, visando aumentar seus lucros.

         Lamentavelmente, os formandos financiados através destes programas, quando buscam o mercado de trabalho, já estão sendo vistos como doutores de segunda, e até de terceira categoria. Enquanto isto, só com o FIES, no exercício de 2014, o governo federal engordou o faturamento das faculdades particulares com exatos R$-13.75 bilhões. É muita grana, praticamente, jogada fora!

                          

 

 

 

 

 

 

 

 

Artigos Publicados

Mais do mesmo

Horizontes sombrios

Integrar para não entregar

Aliança feita

Urge reformá-la