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Pura deslealdade

                                             Pura deslealdade

                                 

A solidariedade do candidato Márcio Bittar à candidata Marina Silva, só veio demonstrar sua terrível sofreguidão.

        

Se o candidato Aécio Neves vai mal das pernas, ou mais precisamente, carente de votos, e ele ainda continua esperando por uma virada, lá fora não sei se a tal virada virá, mas aqui no Acre, particularmente, que ele vá logo se esquecendo, até porque, aquele a quem confiara a condução de sua campanha em nosso Estado, no caso, ao candidato Márcio Bittar, sabe-se lá como e por que, ultimamente, pouco ele tem falado em seu nome, e ainda por cima, resolveu solidarizar-se com a presidenciável Marina Silva. Quanta esquisitice, e diria até, quanta deslealdade, afinal de contas, quem está precisando de solidariedade e, sobretudo, de votos, vem ser o candidato Aécio Neves, este por sua vez, fortemente ameaçado de, no provável segundo turno da disputa presidencial, seu nome não mais aparecer nas urnas.       

         Se são sempre falsas as lágrimas de um rato no enterro de um gato, igualmente falsa, ao que tudo nos leva a crer, foi a inesperada solidariedade que o candidato Márcio Bittar decidiu emprestar à candidata Marina Silva. A provar que sim, basta verificarmos que o PSB, o próprio partido de Marina Silva, e por certo, com sua prévia e devida anuência, vem fazer parte da FPA-Frente Popular do Acre, a coligação partidária que apóia o seu principal concorrente, Tião Viana, este por sua vez, e segundo as pesquisas, podendo se reeleger já no primeiro turno. Vamos mais adiante;

         Enquanto o candidato Aécio Neves parecia estar no segundo turno da disputa presidencial, o candidato Márcio Bittar jamais deixou de exaltá-lo e de emprestar-lhes o seu mais irrestrito apoio, e mais que isto, em seu rosário de promessas, dizia contar com o seu aval. Em suas promessas, sempre que se reportava ao candidato Aécio Neves, Márcio Bittar, invariavelmente, o tratava como futuro presidente da República. E não é a primeira vez que ele assim procede: na sua passagem pelo PPS de Ciro Gomes, e tão somente porque este parecia ter adquirido musculatura para se eleger presidente da República, Márcio Bittar só tratava como futuro presidente do Brasil.  

         Portanto, nada vem justificar que, pelo fato da candidatura Aécio Neves ter caído em desgraça que seus aliados, particularmente aqueles que mais teriam a obrigação de apoiá-lo, já o estarem abandonando, afinal de contas, na atividade político-partidária, quem se solidariza com um candidato adversário, eleitoralmente falando, diga-se o que se disser, mas de fato, estará prejudicando o seu correligionário, diria até, traindo-o.       

         Ambos caminhando para um melancólico terceiro lugar, e faltando apenas duas semanas para as eleições, muito provavelmente, a ajuda eleitoral de um em favor do outro teria pouca influência, porém a falta de solidariedade de Márcio Bittar com Aécio Neves, foi sim, um gesto de oportunismo barato, e com tal, tem nome: deslealdade.

         Por fim: se a candidata Marina Silva tem dito, repetido e vem cumprindo, que jamais subirá num palanque em que os tucanos se façam presentes, nem no Estado de São Paulo, onde o candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo tucano Geraldo Alckmin é do PSB, esta é mais uma razão a justificar a inoportuna solidariedade do candidato Márcio Bittar a presidenciável Marina Silva.

         Resumindo-se: é na adversidade que se conhece seus verdadeiros amigos, e na política-partidária, seus verdadeiros aliados.  

 

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