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Perdendo fôlego

Perdendo fôlego

Se a reforma política é uma prioridade, por que  vem sendo insistentemente protelada?

 

Desde a nossa redemocratização, sempre que surge um grande escândalo, de imediato, o nosso sistema político-partidário-eleitoral é responsabilizado por tê-lo causado. E mais: enquanto continua ocupando as manchetes de nossa grande imprensa, não se fala em outra coisa, a não ser, na urgente necessidade de se fazer uma radical reforma política. Corretíssimo. Enfim, num congresso que abriga representantes de 28 partidos, o que já seria um absurdo em qualquer regime de governo, no presidencialismo de coalizão, a exemplo do nosso, mais ainda.    

De uma coisa tenhamos a mais absoluta certeza: não é por falta de proposições, legislativas ou não, que a nossa tão reclamada reforma política ainda não se materializou, sim e certamente, porque o atual sistema continua interessando àqueles que, verdadeiramente, detêm poderes para lançá-lo na lixeira de nossa história. Decerto, nos reportamos aos nossos congressistas, afinal de contas, eleitos pelo atual sistema, a despeito de todos os seus vícios, ainda assim, são eles os que mais resistem às mudanças e, portanto, responsáveis pela manutenção de nossa anárquica e corrupta legislação política, partidária e eleitoral.   

Presentemente, e como não poderia deixar de ser, na esteira do petrolão, a exemplo do que já havia acontecido nos períodos que se seguiram aos diversos outros escândalos, entre eles, o da compra de votos para aprovar a emenda da reeleição, o dos anões do orçamento, o dos sanguessugas e o do mensalão, em razão do elevado potencial explosivo que o petrolão haveria de proporcionar, a reforma política voltou a entrar na pauta de todos os debates políticos, diria até, com maior intensidade. 

Se o petrolão impuser a reforma política que nossa sociedade tanto precisa e reclama, e dele resultarem as merecidas e exemplares punições aos seus envolvidos, também restar o fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais, a fidelidade partidária aos detentores de mandatos, uma conveniente cláusula de barreira a propiciar aos partidos políticos terem acesso aos recursos públicos, o dito cujo não terá sido de um todo condenável.                           

 

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Sérgio Malandro

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