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Governador Gladson Cameli entre o sonho e o pesadelo

Esse conflito interno no PP mostrou mais uma vez que o governador Gladson Cameli, embora esteja em alta popularidade em função de sua gestão administrativa, em especial nas ações de prevenção e combate ao novo coronavírus, precisa melhorar e muito na articulação política.

Não precisa ser cientista político para entender que como o processo foi e continua a ser conduzido tinha tudo para se complicar mesmo. Eleito com apoio de 11 partidos, o governador se distância, a cada dia desse grupo, até mesmo de seu próprio PP. Ninguém consegue compreender esse comportamento. Acho que nem ele próprio.

A decisão de Gladson em apoiar a reeleição da prefeita Socorro Neri (PSB) é compreensiva.  Além de fazer uma gestão extremamente ética, transparente e humanizada, Socorro Neri, viveu sua juventude no MDB, que nunca foi de esquerda. O equívoco está no método adotado.  
Vale lembrar que, em 2016, Socorro Neri chegou a a ser pré-candidata à prefeitura pelo PSDB, que no Acre, sempre foi de direita. Mas antes das convenções, ela foi convidada pelo governador Tião Viana a se filiar ao PSB para ser candidata a vice na chapa liderada pelo então prefeito Marcos Alexandre (PT) que, com seu apoio, foi reeleito com absoluta facilidade.

O governador tentou convencer a prefeita a largar o PSB para se filiar ao PP. Até aí, nada anormal, tudo natural. Mas a prefeita, que também foi convidada pelo senador Sérgio Petecão a ingressar no PSD, também resistiu, agradeceu aos dois, mas permaneceu no PSB.
Já que não conseguiu convencer a prefeita a se filiar ao PP, o governador tentou convencer o PP a indicar o vice da prefeita Socorro Neri, ignorando a pré-candidatura do professor Tião Bocalom, suplente de deputado federal e seu colega de partido.

O governador também não obteve êxito junto à direção nacional do PP, uma vez que o presidente, senador Ciro Nogueira (PI), preferiu apoiar a iniciativa da direção nacional e do diretório municipal que defendem a pré-candidatura de Tião Bocalom.

A direção do PP, já inconformada pelo fato de o governador ter dado carta branca ao ex-deputado Moisés Diniz, que até ontem, era uma das maiores expressões do PCdoB acreano, para comandar  a articulação política, também não aceitou o ex-petista Ney Amorim como pré-candidato a vice-prefeito na capa liderada pela prefeita Socorro Neri.

Resumindo a história: o governador não conseguiu filiar a prefeita no PP, não conseguiu retirar Bocalom da disputa, não conseguiu emplacar Ney Amorim como vice e também não conseguiu apoio majoritário na direção estadual do PP, tampouco na municipal.

Mas o prejuízo político do governador não parou por aí. Ele também perdeu o apoio eleitoral dos três senadores. Sérgio Petecão e Mailza Gomes estão fechados com Tião Bocalom na aliança entre PP-PSD-Pros; Marcio Bittar sempre esteve com seu colega de partido, o deputado Roberto Duarte, pré-candidato do MDB.

Evidente que, do ponto de vista político, o governador ainda pode contar com os três senadores, sobretudo quando precisar do trio em Brasília. São seus amigos e aliados, mas do ponto de vista eleitoral, nenhum vai seguir o caminho do governador. 

Pra concluir, o governador, já declarou apoio a reeleição do prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro (PP), que está mais enrolado do que fios de bonina junto à Justiça Eleitoral, além das operações da Polícia Federal. Portanto, dificilmente Gladson evitará a derrota em sua cidade.

Por isso, o governador vai ter que apostar suas fichas na reeleição da prefeita Socorro Neri. Esse apoio não pode e nem deve se resumir aos trabalhos que estão a ser executados na operação Força Máxima ou outro ato administrativo. Tem que ser mais concreto, mais abrangente e mais homogêneo. Caso contrário, o sonho da reeleição do governador, em 2022, que até então parecia ser algo tranquilo e favorável, pode virar um terrível pesadelo.

Apoio de Bolsonaro
Professor Tião Bocalom deverá ter apoio do Presidente Jair Bolsonaro na disputa pela Prefeitura de Rio Branco. Segundo o coordenador do Aliança Pelo Brasil, advogado Benício Dias, Bocalom  é conservador, cristão convicto e anticomunista. Por isso, se identifica com Bolsonaro.

Registro definitivo
Ainda segundo Benício Dias, até 2022 o Aliança Pelo Brasil será formalizado e registrado participando do processo com o objetivo de eleger o maior número de governadores, senadores, deputados federais e estaduais. 
 
Auditoria
Novo delegado-geral da Polícia Civil do Acre, delegado Josemar Portes, institui comissão especial de auditoria interna para investigar atos administrativos de seu antecessor o delegado Henrique Maciel, exonerado semana passada, acusado de praticar “rachadinha’. 

Situação complicada
A comissão será presidida pelo agente de Polícia Civil Rennan Biths, homem de confiança do novo delegado-geral e ex-secretário de segurança nos governos do PT, Emylson Farias, e pelos servidores Maria Aparecida Costa e Silva.  Por isso, a situação de Henrique é complicada.

Pente fino
Comissão criada por Josimar Portes  tem por objetivo realizar operação pente fino para identificar possíveis irregularidades em atos da gestão anterior, tanto do ponto e vista fiscal, orçamentária, financeira, contábil, operacional e patrimonial da Polícia Civil.

Poder absoluto
O novo delegado-Geral da Polícia Civil poderá, de ofício ou a requerimento do presidente, realizar o remanejamento de servidores de quaisquer dos setores sob investigação. Tudo isso para garantir a eficácia e efetividade dos trabalhos realizados.

Contrário
Doutor Sânderson Moura, um dos advogados criminalistas mais conceituados do Acre, usou seu perfil no facebook, nesta terça-feira, 28, para externar opinião sobre a contratação do goleiro Bruno, por parte do  Rio Branco.

Não contrataria
Na condição de cidadão comum e advogado criminalista, Sanderson afirmou que se fosse o presidente do Rio Branco, não o contrataria: “Teria medido antes as consequências de tal decisão”, escreveu. Sanderson diz ainda que  se fosse o Bruno, também não aceitaria a contratação. 

Regressão
“Cumpriria discretamente a pena, saindo de cena, pois o crime brutal por ele praticado ainda choca os sentimentos das pessoas”, explica. Segundo o advogado, a exposição pública de Bruno pode o colocar em risco, “e até mesmo fazê-lo regredir de regime caso ele se envolva em algum conflito”, salienta.

Quanto ao Direito
Sânderson também aponta que partindo do direito, nada impede a contratação do atleta, no entanto, avisa que “o direito não é só a lei, é também a razoabilidade, a equidade, o bom senso, a legitimidade social”.

Feminicídio
“Além disso, o crime pela qual foi condenado não foi um furto, ou outro pequeno delito, foi um feminicídio de repercussão internacional, movido por motivos abjetos, e naturalmente isso não deixará de ser levado em conta tanto pela opinião pública quanto pela própria justiça”.

Atrapalhado
Vereador Cleilton Nogueira (MDB), líder do prefeito na Câmara de Senador Guiomard,  em entrevista ao programa RB Notícias, nesta terça-feira, 28, ao vivo, na TV Rio Branco-SBT, afirmou que a oposição ao prefeito André Maia (MDB) está a prejudicar a gestão e a população de um modo geral.

Exemplos
Cleiton citou como exemplo o projeto de lei que institui a Companhia Municipal de Trânsito e outro que prevê investimentos de R$ 45 milhões destinados a obras de infraestrutura no município. “A oposição não atrapalha o prefeito, mas sim a população de Senador Guiomard”, afirmou o vereador.

Reação
A reação referente às denúncias do vereador veio no dia seguinte, nesta quarta-feira, 29, por meio do presidente da câmara, vereador Gilson da Funerária (Solidariedade). Em entrevista ao mesmo programa, o parlamentar negou as acusações e afirmou que o Poder Legislativo Municipal, em sua gestão, nunca atrapalhou a prefeitura.

Pedido em dose dupla
Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Estadual (MPAC) pediram, nesta segunda-feira, 28, a suspensão do decreto que reabriu as igrejas, até que o seu conteúdo seja submetido e apreciado pelo Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19.

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