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Governador e progressistas: chegou a hora da verdade!

ANTONIO MUNIZ

Depois da reunião realizada, há duas semanas, na sede do partido e outra ocorrida na quarta-feira, na casa da presidente regional, em Brasília, senadora Mailza Gomes, que não resolveram absolutamente nada, o governador Gladson Cameli e a executiva de seu partido têm um encontro decisivo nesta segunda-feira, 20, na sede do Progressistas. Diferente das duas reuniões anteriores, que foram realizadas em clima de paz e harmonia, a próxima reunião pode ser marcada por "bate-boca” e murros na mesa. Gladson já deixou claro que seu apoio à reeleição da prefeita de Rio Branco, Socorro Neri (PSB) é algo definido e não tem volta. As lideranças do PP também externaram opinião do partido. Eles respeitam a decisão do governador, mas não abrem mão de lançar candidatura própria e o nome definido é Tião Bocalom. Apesar de Bocalom ter se filiado há pouco mais de um mês, não é tido como estranho, pois iniciou sua vida pública no PP, em 1990.

Tanto o governador quanto as lideranças de seu partido entram no encontro alimentando algumas esperanças, apesar de terem decisões tomadas. O governador já decidiu apoiar a reeleição da prefeita Socorro Neri, mas sonha em convencer o partido a aceitar indicar o vice na chapa PSB-PP. De preferência, que seja outro nome, pois não se afina bem com Bocalom. Não por acaso, o governador citou outros nomes que podem ser avaliados, entre os quais o ex-petista Ney Amorim, seu amigo pessoal. A direção do PP já decidiu que não abre mão de lançar candidato próprio e o nome escolhido é Tião Bocalom, mas também sonham com apoio do governador à candidatura de seu colega de partido. Os progressistas lembram que foi o governador quem convidou Bocalom a ingressar no governo e depois a se filiar ao PP para disputar a Prefeitura de Rio Branco.  Quando Bocalom assumiu a presidência da Emater-Acre, em 2019, estava ciente de que seria o candidato ungido pelo governador.

O certo é que sabemos apenas como essa reunião vai começar, não como terminará. No entanto, podemos fazer algumas previsões que, pelos desdobramentos dessa novela, nos parecem óbvias. O governador poderá, depois de esgotar todas as tentativas de convencimento, a “chutar o pau da barraca” e  retirar Bocalom da disputa. Mas isso, segundo informações, não seria possível, uma vez que a presidente regional do PP, senadora Mailza Gomes, tem aval do presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI). Caso não consiga “rifar” Bocalom, o governador poderá ir ao extremo e largar  o PP, ficando sem partido até definir sua  nova sigla que poderá ser o PSB da prefeita Socorro Neri, no momento presidido pelo ex-prefeito de Cruzeiro do Sul e ex-deputado federal César Messias, tio de Gladson. Os dois estiveram em campos opostos, desde 2006, quando César virou aliado da extinta Frente Popular, mas desde o ano passado, tio e sobrinho iniciaram uma  reaproximação politica, já que os laços de família nunca acabam.  
Existe outra possibilidade, que pode ser alternativa mais viável, para alguns. O governador e o PP firmariam um pacto pelo qual a pré-candidatura de Bocalom seria mantida e haveria uma aliança em segundo turno, já que com a disputa acirrada, dificilmente algum candidato conseguirá resolver a parada em primeiro turno. Mas essa hipótese é muito remota, uma vez que  o governador por certo não aceitará que a estrutura do governo sirva para potencializar um candidato que não tem seu apoio. Neste sábado, conversei com uma liderança do PP, com mandato e um membro do diretório. 

Segundo eles, o PP encontra-se tão unido agora quanto nas vitoriosas campanhas de Gladson Cameli ao Senado, em 2014, e ao governo, em 2018.  O PP, segundo eles, esta preparado para qualquer decisão tomada pelo governador. Se ele decidir apoiar o candidato do partido, ótimo. Caso contrário, o que é mais provável, o PP oficializará aliança com PSD do senador Sérgio Petecão, que indicará a ex-deputada federal Marfisa Galvão, como vice; o Pros, da deputada Maria Antonia, além de outros partidos e vão à luta.

Almoço 
Presidente municipal do PP, pastor Reginaldo Ferreira e o ex-prefeito de Senador Guiomard, James Gomes, que vai representar a presidente regional do PP, senadora Mailza Gomes, no encontro desta segunda, almoçaram sábado na  casa amarela, residência do senador Sérgio Petecão, presidente regional do PSD.
Ninguém vai abrir
O almoço serviu para firmar o pacto pelo qual ninguém vai abrir um milímetro para o governador Gladson Cameli, que quer retirar a candidatura de Tião Bocalom. O presidente regional do Pros, ex-prefeito de Rodrigues Alves, Francisco Deda, não foi ao almoço, mas seu partido também está fechada com PSD e PP

Vazou e bombou
Parte da reunião do presidente da Executiva Municipal do PP, em Rio Branco, pastor Reginaldo Ferreira e outras duas pessoas vazou e “bombou” na internet. O dirigente faz duras criticas ao governador Gladson Cameli, seu colega de partido. 

Lena na fogueira
As declarações bombásticas do dirigente, vai servir como combustível para potencializar o incêndio em largas proporções entre o governador Gladson Cameli e as lideranças de seu partido, marcada para esta segunda-feira na sede do progressistas.

Varredura
Conversei com um assessor do governo, na noite e sexta-feira, 17, e esta afirmou que o governador espera o resultado da reunião que terá nesta segunda-feira, 20, com o PP para começar uma varredura geral em todas as secretarias, autarquias, institutos e fundações.

Redução em dose dupla
Segundo informações, o governo vai reduzir os números de cargos comissionados e seus respectivos valores. Quem quiser continuar, vai ter se se enquadrar. Os estudos para identificar quem é quem no governo tiveram início á alguns dias.
Exonerações em massa
Portanto, muito provavelmente teremos exonerações em massa. O objetivo é cotar quem não produz ou não soma politicamente para contemplar os que de fato tem algo a oferecer ao governo e ajudar na questão política.

Resquícios
Aliados mais próximos e fiéis ao governador mostraram ao chefe dados que comprovam a existência de nomes que trabalham para partidos que eram aliados e agora viraram adversários.

Mais petistas
Nesse contesto, haverá espaço para mais petistas que viviam atacar o governador, mas agora prometem ser soldados fiéis, guerreiros valentes. Os news aliados não são apenas petistas, mas também comunistas e até gente que era do Psol e PV.

Indiferente
Senador Sérgio Petecão (PSD-AC), maior incentivador da pré-candidatura de Tião Bocalom, afirma que o apoio do governador, depois de tudo que aconteceu, é indiferente. “Nó vamos à luta com ou  sem o apoio do Gladson”, afirma o senador.

Profundo conhecimento
“Ninguém na política conhece o Gladson como eu conheço. Portanto, não se surpreendam como que ele a faz ou deia de fazer”, afirmou o senador Petecão.  A frase subliminar do senador refere-se ao encontro desta segunda-feira, na sede do PP.

Apenas sugestões 
Segundo conversa que eu tive com amigos mais próximos dos ex-deputados Ney Amorim e Moisés Diniz, não procede a informação de que eles estariam dando corda no governo para retirar a candidatura de Tião Bocalom. Os dois teriam apenas apresentado sugestões, nada mais.

Perda de tempo
Se as lideranças do PSDB e do MDB esperam o resultado da reunião desta segunda-feira entre o governador Gladson Cameli e o PP para se fortalecerem com o fracasso do outros, é melhor mudar de ideia. Seria perde de tempo.

Sem chance
Se o governador tivesse interesse em apoiar o PSDB ou o MDB já teria feito isso há muito tempo. Aliás, o governador, ao que parece, não quer aliança com os partidos que o ajudaram a cegar ao poder. Os partidos mais expressivos da aliança vitoriosa de 2018 estão divididos.

Nada a ver
A prefeita Socorro Neri, apesar de se  encontrar no chamado olho do furacão, nada tem a ver com esse impasse entre o governador e a direção do PP. Ela aceita o apoio do governador, acha importante, mas nunca se articulou nesse sentido.

Bom exemplo I
Socorro Neri já foi filiada a dois partidos antes de chegar ao PSB. Viveu sua juventude no MDB, que há época era PMDB. Em 2.014 filiou-se ao PSDB, partido pelo qual chegou a ser pré-candidata à Prefeitura de Rio Branco, mas sempre deu bons exemplos de respeito ao seu partido.

Bom exemplo II
Socorro Neri saiu do MDB para não  misturar politica  com suas atividades na Universidade Federal (Ufac) como professora-doutora e gestora. Não se sentindo prestigiada no PSDB, ela decidiu sair.   

Bom exemplo III 
Ano passado, o senador Sérgio Petecão lutou para convencer Socorro Neri a se filiar ao PSD, mas ela resistiu. Este ano, tentaram levar Socorro para o PP, mas outra vez, a prefeita resistiu, em respeito ao seu partido, resistiu.

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