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Pela primeira vez, desde 1982, PT entra na disputa eleitoral com apenas um partido aliado

Pela primeira vez o PT entra na disputa pela Prefeitura de Rio Branco, praticamente, seguindo carreira solo. Diferente de anos anteriores, que havia ampla coligação, apenas o Psol aceitou aliança com o PT, nem mesmo o PC do B, amigo de fé, irmão e camarada, ficou ao lado dos petista. Desde 1980, quando o partido foi fundado, o PT só disputou a eleição, sem aliança, somente em 1982, com Nilson Mourão, tendo Elias Rosendo como candidato a vice.

À época, os partidos não usavam o número um.  Por isso, o deputado Nabor Junior, que venceu a disputa pelo PMDB, usou o número 5; Jorge Kalume, do PDS, era o número 1 e Nilson Moura usou o número 3. Também não havia segundo turno. Por isso, Nabor Junior foi eleito governador obtendo apenas 46,61% dos votos; Jorge Kalume ficou com 43, 41% e Nilson Mourão teve 5,94%. Foram apenas 4.637 votos. Nas campanha seguintes, o PT sempre contou com vários partidos de esquerda como aliados.  

Na convenção deste sábado, 13, na antiga sede da Companhia de Selva, empresa do ex-marqueteiro do PT, David Sento-sé, no Conjunto Village, apenas algumas lideranças do Psol apareceram para apoiar o candidato do PT à Prefeitura de Rio Branco, deputado e professor da Ufac, Daniel Zen. Vale lembrar que o Psol é composto por ex-petistas como o candidato a vice-prefeito, professor Cláudio Ezequiel, que militou no PT por mais de 30 anos.

A convenção partidária contou com a participação de poucos apoiadores, em salas diferentes para garantir distanciamento devido à pandemia de Covid-19. Diferente das últimas três campanhas, o vermelho, cor original do partido, voltou a ser usada entre os candidatos e apoiadores. A chapa PT-PSOL terá 23 candidatos a vereadores em Rio Branco.

Zen acredita que o PT tem condições de alcançar qualquer cenário nestas eleições municipais. “Vai ser uma eleição muito competitiva, com candidatos nivelados, o que trará dificuldade para todos os concorrentes”, afirmou. Zen também comentou que o partido vermelho possui possibilidades reais de chegar a qualquer cenário. “Acredito que temos uma chapa competitiva. Vamos enfrentar essa jornada”, destaca. O candidato ressalta que propôs uma espécie de pacto entre os concorrentes no combate às Fake News, que são as falsas notícias. “A verdade é sempre o melhor caminho”, acrescentou.

Segundo lideranças petistas, existe um alinhamento nacional dos dois partidos e nós decidimos por bem que aqui nós íamos seguir esse alinhamento nacional. “Se a gente tá dizendo que temos que aprender com nossos erros, talvez um deles tenha sido chegar numa coligação com 15 ou 16 partidos onde muitos deles não tinha relação programática conosco. A relação era mais aquela ocasional, uma relação tática que visava ganhar uma eleição”, afirmou.

O ex-senador Jorge Viana e o ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, também estiveram na convenção. Ao falar sobre a derrota sofrida na eleição de 2018, Viana afirmou que agora o PT vive um momento de tirar lições com o que aconteceu anteriormente e focar num novo trabalho. “O Zen está trabalhando com esse propósito, não de repetir, não de ficar no passado, mas no futuro, de fazer muito mais. Estamos montando propostas ouvindo as pessoas, proposta de trabalho que possa ser oferecida”, disse.

Conflito interno

A convenção da coligação PSDB-PSL, realizada na noite de sábado, na sede do PSL, foi marcada por conflitos internos por conta da definição do candidato a vice-prefeita na chapa liderada pelo professor Minoru Kinpara. O nome do presidente da Associação Comercial do Acre (Acisa), empresário Celestino Bento, defendido pela direção do PSL, acabou sendo derrotado ao bater chapa com o coronel Ulysses Araújo, mas para evitar possível ação judicial, o militar optou por recuar e desistir da disputa. 

Suspensão

A proposta dos dirigentes defendia aclamação de Celestino, mas um grupo do partido descontente, com os rumos que sigla tomou, forçou a barra para que houvesse votação. Tal fato acabou provocando “troca de farpas” entre o vice-governador Wherles Major Rocha, presidente da executiva municipal do PSL, e o coronel da reserva. O major Rocha afirmou que o coronel “não tinha representatividade”. O coronel reagiu: “Quer ser o rei?”. O clima esquentou e a convenção teve que ser suspensa por alguns minutos.

Ganhou mas abriu

Os liberais descontentes queriam a escolha por votação, o que foi aceito, mas o resultado foi surpreendente: o coronel foi colocado na disputa e venceu o candidato preferido pela direção por 7 a 2. Para evitar ação judicial ou intervenção da direção nacional do PSL, em Brasília, o coronel resolveu preferiu abrir mão da indicação, cedendo a vaga ao empresário Celestino Bento que foi aclamado,

Sem o devido apoio

Nos bastidores, ficou claro que dentro do PSL Celestino não é bem visto e que o vice-governador Major Rocha não tem “carta branca” dentro do partido para impor o que bem entender, mas o acordo prevaleceu para que ele seja o vice do partido na chapa com Minoru. Ficou definido ainda que a sigla terá 28 candidatos a vereador, que somados com os 26 PSDB, somam 54 pessoas nas ruas pedindo voto. PSDB, PSL e Cidadania, antigo PPS, são os partidos que formam aliança em torno de Kinpara.

Condicional

A renúncia de Ulysses Araújo teria sido condiciona ao cumprimento de algumas exigências. Três delas foram explicitadas: não perseguir os filiados que foram contra Celestino, garantir que o Fundão eleitoral será distribuído de forma igualitária para todos os candidatos e que, caso Minoru vença as eleições, acolha os correlegionários que não obtiveram êxito nas urnas. As reivindicações foram aceitas por Rocha e o problema cegou ao fim. Rocha que afirmou ainda que não iria cometer os mesmos erros do governo em relação aos aliados.

Perdeu aliados

A candidatura do ex-prefeito de Acrelândia, Tião Bocalom à Prefeitura de Rio Branco pelo PP, foi homologada na noite de sexta-feira, 11, no Galpão da Star Som, no bairro Raimundo Melo. Bocalom terá como candidata a vice-prefeita, a ex-deputada federal Marfisão Galvão. A aliança de Bocalom tinha onze partidos, mas apenas PP-PSD-Pros oficializaram a coligação. Bocalom e Marfisa terão apoio de 52 candidatos a vereador.

“Novo Boca”

Senador Sérgio Petecão (PSD), que tem sua esposa como vice na chapa, ressaltou que jamais enfrentou eleição fácil. “Minha esposa que nasceu e se criou na Cidade Nova - Segundo Distrito. Ela foi candidata a federal e teve mais de 17 mil votos e eu graças a Deus tive 120 mil votos só em Rio Branco como senador. Vamos conversar com o povo, com o pé no chão e vamos apresentar o nosso candidato que já tem o nome massificado e dispensa apresentações”, afirmou. Ele disse ainda que a partir de agora não existe mais o velo Boca, mas sim o “Novo Boca”.

Apoio de Ciro Nogueira

Representado a senadora Mailza Gomes que está de resguardo, ex-prefeito de Senador Guiomard, James Gomes, presidente interino do Progressistas ressaltou a qualidade da escolha de Bocalom. “Eu agradeço demais a todo trabalho que foi feito por nossa equipe. Tenho certeza que temos um excelente quadro”, disse o dirigente afirmando que está alinhado com o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira. “O Ciro está conosco, Bocalom” frisou.

Faltou coragem

O líder do PP na Assembleia Legislativa, deputado José Bestene, lembrou dos partidos que não tiveram coragem de ficar do lado de Bocalom. “Eles não tiveram a coragem. Nós que andamos nos bairros percebemos que o povo quer Bocalom. De cada 20 votos na zona rural, 15 são do Bocalom. Nós temos o melhor e ele merece guiar os rumos de Rio Branco”, argumentou.

Duas máquinas

Bocalom destacou sua trajetória na política, aproveitando para alfinetar o governador Gladson Cameli e a prefeita Socorro Neri, que se tornaram aliados políticos, nestas eleições. “Em 2010 eu enfrentei a máquina e quase ganhei. Enfrentei novamente em 2012 e vocês sabem o que aconteceu. Agora em 2020 enfrentarei mais duas máquinas, mas Deus sabe do meu coração. Nada foi fácil pra mim, mas acredito que com o apoio de dois senadores posso chegar a ser escolhido prefeito da nossa Rio Branco”, disse.

Festa no interior

A convenção do MDB de Cruzeiro do Sul e os outras seis agremiações aliadas foi realizada na noite de sábado, na sede do partido, foi transformada em uma festa. O agora candidato a prefeito, advogado Fagner Sales (MDB) entra na disputa apipado por uma ampla aliança composta por sete partidos: MDB-PSDB-VPSC- PL- PMN- Avante- Republicanos. Fagner tem como você Luís Cunha (PSDB), presidente licenciado da Associação Comercial de Cruzeiro do Sul.

Alfinetadas

Fagner Sales deixou claro como poderá ser a campanha ao alfinetar seu principal adversário, o candidato do PP, Zequinha Lima. “Um prefeito tem que conhecer para governar. Fui preparado pelos meus pais para conhecer as dificuldades, a pegar uma canoa e subir os rios, pegar um carro e ir para os ramais. Isso é que tem que ser, conhecer a sua cidade e não se esconder como fez o ex-vice prefeito Zequinha Lima, nos quase quatro nos de gestão”, afirmou.

Lideranças

As principais liderança do MDB cruzeirense estiveram presentes, entre as quais, o pai do candidato, o ex-deputado e ex-prefeito Vagner Sales; a irmã deputada federal Jéssica Sales, a mãe deputada estadual Antônia Sales, vereadores e candidatos proporcionais, além da ex-deputada federal Antônia Lúcia (PSC) e o convidado Mazinho Serafim, prefeito de Sena Madureira.

Marcio Bittar

O senador Márcio Bittar (MDB-AC), vice-líder do governo no Senado e relator do Orçamento da União para 2021, ressaltou a importância do apoio de Brasília para os gestores municipais. “Meu mandato estará a disposição de Fagner Sales e o presidente Jair Bolsonaro também terá atenção com essa região”. Fagner e Vagner Sales, foram alvos, na sexta-feira, 11, da Operação Acúleo da Polícia Federal, que apura irregularidades em licitações.

Acordo em Brasília

A escolha da missionária Antonia Lúcia Câmara (PL) como vice de Roberto Duarte (MDB) foi fechada em Brasília, entre o Senador Márcio Bittar (MDB-AC) e o deputado federal Silas Câmara (Republicanos). O PL também se coligou com o MDB, em Cruzeiro do Sul para apoiar Fagner Sales a prefeitura. Além do anúncio da vice, será homologado também a candidatura de 97 candidatos a vereadores da capital pela Coligação MDB-PL-PTB-Republicanos

Mais duas hoje

O processo de convenções será encerrado nesta segunda-feira, 14, com a convecção do PSB e mais seis aliados que apoiam a reeleição da prefeita Socorro Neri e a do MDB e mais três partidos que homologarão o deputado Roberto Duarte Junior como candidato a prefeito. A convenção dos partidos aliados da prefeita será via internet, a partir das 18h, mas a base já foi montada no Afa Jardim, no centro de Rio Branco. A convenção do MDB será na quadra do Colégio Meta, no mesmo horário.

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