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A solução do problema está na criação de outro

A anarquia é a extrema democracia. Tudo na vida precisa e deve ter limites, até a democracia e a liberdade. Pois bem, talvez por ser um democrata ao extremo, o governador Gladson Cameli (PP) acabou criando, em sua gestão político-administrativa, um grande problema político-eleitoral e agora só ele mesmo pode resolver. O agravante agora é que para resolver o referido problema por ele criado ou permitido, será obrigado a criar outros não menos complicados. 

Os 11 partidos que compuseram a forte aliança que construiu a vitória de Gladson, em 2018 e decretou o fim da Frente Popular do Acre (FPA), após 20 anos de reinado petista, não tem em seus quadros nenhuma “velha raposa” como se diz na gíria popular, apenas alguns deputados mais experientes como José Bestene, seu colega de partido e Luiz Gonzaga (PSDB), mas as atitudes do governador acabaram “empoderando” alguns aliados.

Gladson começou a perder o controle da situação antes mesmo de ser empossado ao assumir compromisso com José Bestene para este ser o presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). Depois mudou de ideia e convidou o deputado Ney Amorim (PT), candidato derrotado na disputa por vaga no Senado, a comandar um processo que resultou na eleição do deputado Nicolau Junior (PP), seu cunhado. Claro que prestigiar cunhado é sempre bom, mas no caso em questão, teve um custo muito alto.

Para prestigiar o cunhado, Gladson entrou em rota de colisão com Bestene, deixou o deputado Gerlen Diniz, também do PP, descontente e  trombou, sem necessidade, com o MDB, uma vez que no plano A, o secretário-geral seria o deputado  Roberto Duarte (MDB).  Portanto, antes mesmo da primeira sessão ordinária, o governador perdeu, de graça, apoio da maioria da bancada emedebista e criou a pré-candidatura do deputado Roberto Duarte Junior à Prefeitura de Rio Branco.

Além de perder apoio do MDB e causar desconforto interno no próprio partido, Gladson deixou o vice-governador Werles Rocha, que já havia indicado cinco cargos no primeiro escalão, ainda mais “empoderado” com a eleição do deputado Luiz Gonzaga (PSDB) como primeiro-secretário da mesa diretora da Aleac.  Pra completar o quadro, como o processo foi comandado por Ney Amorim, a oposição foi contemplada na mesa com a eleição do deputado Jenilson Leite (PC do B) como vice-presidente. Como consequência destes despautérios, tivemos votação em que o governo não teve, sequer, o voto de seu líder.

Como o chamado liberou geral, cada um dos 11 partidos da base aliada - que na prática, como o próprio governador admite, não existe - se achou no direito de lançar candidato a prefeito, tanto na capital quanto no interior.  O primeiro a se articular nesse sentido foi o PSDB. Por incrível que pareça, o último a entrar nessa onda foi o PP, com o secretário de Infraestrutura, Thiago Caetano, que acabou sendo demitido no início deste ano. Por último, foram lançados os nomes de Bestene, Luziel Carvalho, que foi para o Solidariedade, Ney Amorim e agora Tião Bocalom.

Como prevê a Lei da Semeadura, o governador agora está a colher o plantou. Sem mais ter como voltar atrás em seu incondicional apoio à reeleição da prefeita Socorro Neri, que faz boa gestão e nada tem a ver com os problemas internos do PP, Gladson só tem uma saída: indicar Bocalom para ser vice na capa liderada por Socorro Neri. Mas consta que ele não gosta muito do estilo Bocalom e tem lá suas razões. Então indicaria outro nome do PP, provavelmente Bestene ou Ney. Claro que aí teria que encarar o senador Sérgio Petecão (PSD), padrinho da pré-candidatura Bocalom.  Ou seja, a solução do problema está na criação de outro não menos complicado.

 

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