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Alércio Dias: legado de um catarinense de nascimento, mas acreano por opção

 

Antonio Muniz

Catarinense de nascimento, mas acreano por opção, o ex-deputado federal e estadual Alércio Dias, veio para o Acre, nos anos de 1970 para investir na pecuária e ajudar a desenvolver o nosso Estado. Junto com ele vieram dezenas de sulistas, seja de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Muitos do sudeste, notadamente de São Paulo também foram atraídos pelo então governador do Acre, Wanderley Dantas, o Dantinha que à época facilitou a aquisição de terras e inventivos fiscais aos que queriam investir no nosso Estado, notadamente em Rio Branco.

Mas o talento administrativo de Alércio foi bem utilizado no setor público, principalmente no governo Joaquim Macedo, de março de 1979 a março de 1983. Aantes, Alércio brilhou e mostrou seu talento como dirigente dê futebol, no Juventus que a época era o melhor time acreano ao lado do Independência, e depois como presidente da antiga Federação Acreana de desportos (FAD), que mais tarde, em 1987, virou Federação de Futebol do Estado do Acre (Ufac).  Em 1982, com Alércio Dias, na presidência da FAD, o Acre sediou o maior Copão da Amazônia 

Praticamente no mesmo período, Alércio foi presidente da Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre), empresa que há dois anos foi incorporada pelo grupo Energisa.  Em sa gestão, as ruas de Rio Branco começaram a ter iluminação pública. O trabalho de Alércio foi reconhecido, primeiro pelos dirigentes do PDS, antiga Arena e atual PP. Ele não teve nenhuma dificuldade para ter seu nome aprovado em convenção do partido como candidato a deputado federal, em 1982. Jorge Kalume, candidato do partido ao governo não conseguiu evitar a vitória do então deputado Nabor Junior, MDB, mas Alércio foi eleito entre os quatro mais votados.

Vale relembrar e, ao esmo tempo, destacar a amizade sólida entre Alércio Dias, Narciso Mendes e Osmir Lima. Todos deputados federais constituíntes.  Por algum tempo, Narciso foi filiado ao PSD Alércio ao PFL, hoje DEM e Osmir sempre no MDB, mas a ideologia do trio era, praticamente, a mesma, baseada nos princípios democráticos e liberais. Os três, juntamete com o ex-deputado federal e estadual João Correia (MDB) foram os pensadores do MOvimento Democrático Acreano (MDA).

Tive o prazer de conhecer Alércio em junho de 1982, nos dias que antecederam a convenção do PDS.  Quando adolescente, fiz campanha, mas não votei nele. Em 1988, quando Jorge Kalume venceu Ariosto Migueis na disputa pela Prefeitura de Rio Branco, Alércio Dias, que era deputado federal, também foi candidato a prefeito.  Ele estava no PPFL, hoje DEM e teve apoio do PTB. Em 1990, ele não conseguiu o terceiro mandato consecutivo e saiu de cena, temporariamente, até ser empossado como diretor financeiro da Teleacre, em 1993. No ano seguinte, foi eleito deputado federal pelo PFL e se licenciou para ser empossado como secretário de educação no governo Orleir Cameli, em 1995.

Em 1998, Alércio Dias foi candidato a governo do Acre, mas em condições extremamente desfavorável, uma vez que o então frente composto por PFL-PDS e MDB foi implodido  eternamente. Ele entrou na disputa sem estrutura e com uma aliança fraca e sem nenhuma chance de vitória.  Por isso, foi facilmente derrotado pela Frente Popular do Acre (FPA), comandada por Jorge Viana e financiada pelo governador Orleir Cameli, que sem o chamado Frentão, desistiu de disputar a reeleição.

No ano seguinte, em 1989, Alércio teve participação importante na formação do Movimento Democrático Acreana (MDA), que um ano depois, em 2000, deu a chamada "volta por cima" e passou a comandar 80% das prefeituras acreanas. O MDA venceu em Rio Branco e região, Cruzeiro do Sul e nas demais cidades do Vale do Juruá, em Sena Madureira. A FPA, mesmo com Jorge Viana no governo, venceu apenas no Alto Acre em outras cidades sem expressão. Em 2002, Alércio tinha tudo para voltar a ser deputado estadual, mas o esquema de perseguição impostas às lideranças do MDA, acabou prejudicando sua campanha, sobretudo na reta final.

Outra vez sem mandato, Alércio voltou a se dedicar aos negócios investir no processo de melhoramento genético de rebanho bovino.  A empresa AD Agropecuária, de Alércio Dias, passou a ser referência não apenas no Acre, mas também em Rondônia e outros estados da Região. Em função do ambiente desfavorável no Acre, ele passou a investir mais em Rondônia do que no nosso Estado, mas sempre manteve seus negócios no Acre. Mesmo sem mandato, esteve sempre a serviço dos partidos de opção ao PT. Ele passou muitos anos no PDS, hoje PP, PFL, que virou DEM, mas ultimamente era filiado ao PSDB, apesar de ser muito ligado ao senador Sérgio Petecão (PSD), também amigo pessoal de longa data.

Advogado, com Bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1974, Alércio assumiu a presidência da Companhia de Eletricidade do Acre no governo de Joaquim Falcão Macedo, de março de 1979ª março de 1983 e foi também presidente da antiga Federação Acreana de Desportos (FAD), hoje Federação de Futebol do Estado do Acre (Ffac) no biênio 1981-1982.

 Foi eleito deputado federal pelo PDS, em 1982 e reeleito em 1986.Em 1994, foi eleito deputado estadual pelo PFL, licenciando-se do mandato para assumir a Secretaria de Educação, no governo Orleir Cameli (PP). No governo Gladson Cameli, foi presidente do Instituto de Previdência do Acre (Acreprevidência), diretor da Secretaria de Educação, em 2019. Este ano, ele tomou posse como diretor da Cageacre. 

Nas redes sociais, diversos seguidores prestaram homenagens ao político que nasceu em Joinville (SC) e fez carreira no Acre. O governador Gladson Cameli (PP), decretou luto oficial por três dias. Na Câmara de Rio Branco e na Aleac, diversos parlamentares lamentaram a morte de Alércio Dias. A TV Rio Branco-SBT, também prestou homenagem póstuma ao deputado constituinte, nos programas Bom Dia Rio Branco e RB Notícias, nesta sexta-feira, 04. Além dos comentários e notas cobertas pelos apresentadores, a emissora levou ao ar depoimentos do ex-deputado estadual Normando Sales e dos ex-colegas de Alércio na Câmara Federal, Osmir Lima e Narciso Mendes.

Despedida I

A última vez que conversei com meu amigo Alercio Dias foi na tarde de segunda-feira, 21 de agosto, uma semana antes de ele sentir problema gastrointestinais. Almoçamos na casa amarela, residência do senador Sérgio Petecão (PSD). Havia, como sempre, muita gente, mas conversamos bastante na mesa pertinho da cozinha e da piscina. Parecia que Alercio estava a se despedir. Falamos sobre os velhos tempos, tanto do cenário esportivo, quanto do político.

Despedida II

Após o almoço, o senador nos convidou para irmos à sala de visita e enquanto este conversava com um grupo de líderes comunitários, continuei a conversa agora somente eu e Alércio. Alguns minutos depois, uma filha dele, que mora em Florianópolis, ligou, perguntou como ele estava e pediu para este se cuidar. A filha se referia à doença dos chineses.

Despedida III

Após conversar com afilha, Alércio afirmou que tinha medo de contrair a doença chinesa, me falou que estava a se cuidar e perguntou como eu enfrentava a pandemia, já que, por dever de ofício, converso com várias pessoas todo dia o dia todo. Alércio era assim: muitas vezes se descuidava para se preocupar com o bem estar dos amigos. Um ser humano incrível.

Inveja

Quem conhecia bem Alércio sabe que ele sempre foi muito capacitado, decidido, dedicado e destemido. Tais qualidades, provocavam ira aos inimigos políticos e inveja a alguns aliados. Lembro bem o trabalho que ele e Normando Sales fizeram na Teleacre, quando democratizaram o acesso às telecomunicações. Antes disso, telefone, mesmo fixo, era algo acessível apenas aos mais ricos. Celular então, nem pensar.

Revolução educacional

Na Secretaria de Educação, Alércio convidou vários profissionais gabaritados, como Raimunda El-Shawwa, secretária adjunto e promoveu uma verdadeira revolução diminuindo, drasticamente, o índice de reprovação, de repetência e evasão escolar. Além disso, estendeu a mão amiga aos jovens fora da idade escolar e adultos analfabetos ao criar o programa de Alfabetização de Jovens e Adultos (Paja).

Extinção

Em 1999, já no primeiro ano do governo petista, o programa foi extinto, mas como a ideia era excelente, foi utilizada, desta feita com outro nome: Educação e Jovens e Adultos (EJA). Mais de vinte anos depois, o programa continua oferecer aos jovens e adultos oportunidade de concluir o primeiro e o segundo grau e ingressar em curso superior.

Boas recordações

Guardo boas recordações de meu amigo Alércio. Ele acompanhava bem nosso trabalho, tanto no jornal e no portal, quanto na TV. Estava sempre atento aos movimentos e nos apoiava e incentivava, mas também fazias as devidas críticas e contrapontos. Os elogios ele fazia em público, as críticas e observações, no privado. Por essa e por outras e outras que eu guardo boas recordações do meu velho e grande amigo.

O Kit de Alércio

Também foi Alércio quem criou o programa de distribuição de material escolar, no qual foram entregues milhares de kits escolares. Os alunos da rede pública estadual receberam mochila com todo material e fardamento escolar. À época, a oposição ficou mais brava, dizendo que o secretário estava a fazer campanha.   

Adiamento

Quando escrevi comentário sobre a crise entre o governador Gladson Cameli (PP) e o vice-governador Wherles Rocha (PSL), em 28 de agosto, usei a seguinte manchete: “Gladson visita Rocha em São Paulo e rompimento é adiado”. Por que usei o termo “adiado”? Por saber que, ao contrário do que muitos colegas escreveram, falaram e comentaram, não há nada, absolutamente nada, definido entre os dois.

Ele deu, ele tomou

Até o fim do ano passado, Rocha tinha, no governo, espaço que jamais um vice teve: todo o sistema de segurança pública que inclui Secretaria de Segurança, Direção de Polícia Civil, Comando da Polícia Militar, Iapen, ISE, Detran, além da Sepa e outros vagos de chefia e diretoria em outros órgãos. Mas Gladson deu, Gladson tomou!

Bom tempo

Por isso, Rocha viveu bom tempo, por pouco tempo. O espaço do vice-governador no governo, praticamente, não mais existe. Na semana passada, ao assumir, o governo, tratou logo de exonerar Ruy Birico, figura simbólica da Assessoria de Comunicação do Governo. No entanto, Birico não perdeu a pose: afirmou em alto e bom som que a caneta que tem tinta é a do governador, não a do vice.

Condicional

O clima de paz entre o governador e o vice estaria condicionado às mudanças que deveriam ter sido feitas esta semana na Secretaria de Segurança Pública, onde quem manda é o grupo ligado ao delegado Emylson Farias, secretário na gestão petista. Claro que o padrinho não é Farias, mas sim o deputado Luís Tchê (PDT), que também era aliado do governo anterior e fez campanha contra Gladson.

Nada de mudança

A semana começou e terminou sem nenhuma mudança na cúpula da Segurança Pública. Conversei com aliados do deputado Luís Tchê. Pela conversa, o deputado nunca esteve tão forte. Por isso, dificilmente haverá mudança. Sem mudança, o impasse entre Gladson e Rocha continua como antes. Se um dos dois não ceder, a gente já sabe com isso vai terminar.

Reforma

A proposta da reforma administrativa enviada pelo governo Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional na quinta-feira, 03, visa reestruturar o funcionalismo público focando em mudanças para servidores do executivo federal que entrarem na carreira após a aprovação do texto. A PEC abrange os Três Poderes da União (Executivo, Legislativo e Judiciário) e engloba estados e municípios.

Não mudará nada

As novas regras para o funcionalismo não serão aplicadas para quem já está no serviço público. Segundo o governo, a estabilidade dos servidores atuais está garantida e não haverá diminuição de salários. A ideia é aproximar a estrutura das carreiras públicas da realidade da iniciativa privada. Com isso, o novo servidor passará por um período de experiência antes do vínculo definitivo com a União, além da extinção de algumas práticas como a aposentadoria compulsória como punição.

Mais seis

Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, serão necessários mais seis projetos de lei com a definição de cargos típicos de Estado, mecanismos desempenho, diretrizes de carreira, entre outros. Haverá também um outro projeto com o novo marco regulatório do serviço público, consolidando todas as mudanças e políticas de governança.

Live de lançamento

Aryanny Cadaxo lançou-se pré-candidata a vereadora de Rio Branco nessa quinta-feira, 03, em live pelo Instagram e Facebook. A audiência nas redes sociais foi excelente, com adesão de seguidores, amigos e personalidades. Aryanny Cadaxo, que já foi vereadora por dois mandatos, traz o legado do avô, o saudoso Edson Cadaxo, ex-governador do Estado e que dedicou boa parte de sua vida à política.  

Emoção

Durante a live, a pré-candidata a vereadora pelo PSDB se emocionou e interagiu com pessoas que lembraram da sua personalidade marcante e um trabalho que foi realizado com muita ética e coração quando foi vereadora de 2004 a 2012. Ela também foi primeira-secretária da mesa diretora da Câmara de Rio Branco, quando o pastor Jonas Costa (PSB) era o presidente.

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