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As contradições históricas da social democracia tucana

A primeira executiva do PSSB do Acre foi criada graças ao trabalho dedicado de João José, Abib Cury e Ressine Jarude, no final de 1987 e início de 1988. Mas antes mesmo da promulgação da Constituição Federal de 1988, o partido conseguiu seu registro.  Tanto que, em 1989, o senador Mário Covas, eleito pelo MDB de São Paulo, foi candidato à Presidência da República. Como não foi para o segundo turno, Covas e as demais lideranças tucanas decidiram apoiar Lula da Silva na reta final contra Fernando Collor (PRN). Os tucanos, que já tinha vocação esquerdistas, assumiram naquele momento o envolvimento com os petistas.

Mas voltando ao PSDB acreano, o partido lançou o empresário Réssine Jarude ao governo, em 1990 e marcou território. Claro que a lideranças sabiam que não tinham as mínimas chances de vitória. Nem o PT, que à época também ainda era pequeno não conseguiu evitar a vitória de Edmundo Pinto (PDS - hoje PP), imaginem um partido criado praticamente às vésperas da disputa. Quatro anos depois, em 1994, o defensor público José Claudio disputou o governo, mesmo sem o apoio da executiva regional, que preferiu apoiar a candidatura do então senador Flaviano Melo (MDB). No segundo turno, uma parte dos tucanos apoiou ajudou a eleger Orleir Cameli (PPR – hoje PP).

Em 1998, outra vez o PSDB entrou desunido na disputa eleitoral. Oficialmente, o partido apoiou a Eleição do governador Jorge Viana (PT), compondo a Frente Popular do Acre (FPA). No entanto, um grupo considerável optou por apoiar outras candidaturas. No referido pleito, o PSDB lançou Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República, que derrotou Lula da Silva (PT). Ou seja: no plano nacional, os dois partidos eram adversários ferrenhos, mas no Acre nunca estiveram tão unidos.

Veio a disputa eleitoral de 2002 e o casamento entre tucanos e petistas já havia acabado. Por isso, o PSDB apoiu a candidatura de Flaviano Melo (MDB), mas alguns continuaram apoiando a reeleição de Jorge Viana (PT). Por aqui, a social democracia nunca se uniu internamente.  O filme se repetiu em 2006, quando os tucanos entraram outra vez divididos entre o candidato da oposição, Marcio Bittar, que à época estava no PPS,  e candidato do PT, Binho Marques.  Em 2010, a maioria apoiou Tião Bocalom, candidato tucano, mas alguns, na surdina, apoiaram o candidato do PT, senador Tião Viana. Resumindo: os tucanos só entraram unidos nas disputas de 2014, quando por pouco não elegeram Marcio Bittar governador, e na de 2018, quando apresentaram o então deputado federal Wherles Rocha como vice na chapa liderada pelo atual governador Gladson Cameli, numa aliança vitoriosa com o PP.

Esse desentendimento entre a direção regional do PSDB e a deputada federal Mara Rochamaior liderança tucana,  é apenas reflexo do que vem ocorrendo em nível nacional.  O governador de São Paulo, João Dória Junior, por exemplo,  quer atropelar todos e se lançar candidato à Presidência da República, assim como fez em 2018, quando era prefeito e se impôs como candidato ao governo. Mas a preferência da direção nacional tucana é pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.  As duas maiores lideranças do partido – os ex-governadores Geraldo Alckmin, de São Paulo e Aécio Neves, de Minas, perderam força internamente e já não decidem praticamente mais nada.  O mesmo podemos dizer em relação ao ex-governador José Serra, de São Paulo e o ex-presidente Fernando Henrique.

Urgência

Requerimento de urgência urgentíssima, sobre o Projeto de Lei entregue pelo prefeito Tião Bocalom, que prevê quatro passagens por mês de graça aos usuários do Bolsa Família, pelo período de quatro meses, foi aprovado em sessão online desta terça-feira, 06, com diversas críticas pelo placar de 10 a 5, na Câmara de Vereadores de Rio Branco.

Previsão

O requerimento de urgência serve para dar celeridade ao Projeto de Lei  que poderá entrar em pauta nas próximas sessões, ao contrário da tramitação normal, que leva mais tempo. A expectativa é que o PL seja votado até a próxima terça-feira (11).

Duras críticas

Na discussão antes da votação, o prefeito Tião Bocalom (PP) foi duramente criticado pelos vereadores. Os parlamenteares querem saber de onde virão os recursos para a isenção da tarifa. Em carta à Casa Legislativa, o prefeito afirmou que o Auxílio Transporte Emergencial custará até R$ 1.344.000,00 para aquisição de passagens junto com o Sindicato das Empresas de Transportes Coletivos do Acre (Sindcol).

Querem saber

Os vereadores Adailton Cruz e Antônio Morais (PSB), Célio Gadelha (MDB), Ismael Machado (PDDB) Michelle Melo (PDT), e até Samir Bestene (PP), este último da base aliada, criticaram a falta de uma linha orçamentária. Eles querem saber a origem dos recursos.

“Cheque em branco”

Ao votar contra o requerimento de urgência, o primeiro-secretário da mesa diretora da  Casa ,vereador  Antonio Morais (PSB), afirmou que não se sentia à vontade para votar em um cheque em branco, ao se referir ao Projeto de Lei (PL) devido a falta de informações.

Pensa igual

“A preocupação dos colegas é legítima e a prefeitura tem de dizer de onde sairá esse dinheiro. A prefeitura tem que informar esses dados. Falta critérios objetivos e a lei orçamentária diz que tem que ser informado de onde o recurso será retirado para o pagamento. A prefeitura tem que enviar o PL de forma correta. Isso é o beabá da administração pública”, afirmou o líder do MDB, vereador Emerson Jarude.

Voto com ressalvas

Na condição de presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), vereador Adailton Cruz, votou a favor da celeridade em respeito aos usuários do Bolsa Família, mas fez críticas ao texto do Projeto de Lei (PL). “Esse pedido de urgência se torna inócuo devido aos vícios que o PL tem”, afirmou.

Ação do presidente

Para apaziguar a situação, o presidente da Câmara de Rio Branco, vereador Nogueira Lima (PP) entrou em contato com a prefeitura para cobrar explicações de onde sairá o dinheiro para o custeio das isenções. Segundo ele, as informações complementares deverão ser enviadas, no decorrer da semana, ao Poder Legislativo Municipal.

Apoio aos empresários

Deputado Gerlen Diniz (Progressistas) disse que os parlamentares têm o dever, como legisladores, de atuar no cenário da pandemia. O Brasil, segundo ele, patina quando tem de dar alguns encaminhamentos. “Exemplos bem-sucedidos devem ser trazidos ao país. O auxílio menor não resolve com suficiência e os empresários precisam de apoio também”, frisa.

Sem discriminação

“O vírus não discrimina. Não faz distinção racial ou de gênero. Pega o rico, pega o pobre”, disse, sugerindo pegar o Fundo Eleitoral, previsto em R$ 7 bilhões para o ano que vem, e investir no enfrentamento à pandemia.

Outras medidas

Deputado Fagner Calegário (PL), que no momento recupera-se da Covid-19, participou nesta terça-feira (6) da sessão virtual da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) e falou sobre o baixo índice de vacinação no Acre. Para ele, o lockdown deve seguir outras medidas, mas não explicou quais seriam. “Nós precisamos garantir que a população vá ficar bem”, disse, alertando para os perigos da Covid-19.

Quer ouvir o comitê

“Precisamos cuidar da nossa população. Neste momento a oposição e a base do governo têm vontade de ajudar e este Parlamente não pode ficar ausente do Comitê da Covid-19″. Nesse contexto pediu à Mesa Diretora interlocução com o comitê de modo que o Parlamento tenha presença mais ativa no colegiado.

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