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Haja nervos!

                                         Haja nervos!

 

O nosso ambiente político encontra-se tão desmoralizado, que nele até a própria matemática costuma ser insultada.

 

Antes da morte do então candidato à presidência da República, Eduardo Campos, do PSB, o tucano Aécio Neves não só tinha a impressão, como já dava como certo que chegaria ao segundo turno da disputa presidencial, e que lá estaria, pronto para concorrer com a presidenta Dilma Rousseff. Baseado em quem o presidenciável Aécio Neves assim se comportava? Só e somente só, nas pesquisas eleitorais.

Após sua morte, vítima que fora de um trágico e comovente acidente aéreo, a candidatura Eduardo Campos deu lugar à candidatura Marina Silva, esta por sua vez, logo transformada num verdadeiro fenômeno. Tanto se transformou que nos quinze dias que se seguiram ao lançamento da sua candidatura, até os mais renomados analistas políticos do nosso país chegaram a imaginar que ela poderia se eleger já no primeiro turno. E de onde vinham as informações que davam conta do extraordinário crescimento de sua candidatura? Claro, das pesquisas eleitorais.

Estamos exatamente a uma semana do primeiro turno da disputa presidencial, ainda assim, já podemos dizer: dele o candidato Aécio Neves será despedido de continuar na disputa presidencial, e mais, caso a disputa seja levada a um em segundo turno, a disputa dar-se-á entre Dilma Rousseff e Marina Silva. Baseado em que estas previsões estão sendo feitas? Nas pesquisas eleitorais.

Ainda sobre pesquisas eleitorais: nas últimas eleições ocorridas nos Estados Unidos, o Instituto de Pesquisas Ipsos, quando ainda faltava uma semana para as eleições, acertou os vencedores dos 50 estados americanos.

Por estas e outras, não apenas nos sistemas nervosos dos candidatos, as pesquisas eleitorais acabam mexendo, e não raro, remexendo, em todo tabuleiro de uma campanha eleitoral, e não raro, antevendo com pequenas margens de erros, os resultados que virão das urnas.

Portanto, causa estranheza quando um candidato, e ainda por cima, tido e havido como professor de matemática vem a público e ainda por cima, se declara descrente nos resultados das pesquisas. Aliás, este tem sido o comportamento do candidato e professor de matemática, Tião Bocalom.  

Se sua descrença nas pesquisas já seria incompreensível, ficou um tanto quanto ridículo para o próprio Tião Bocalom quando ele passou, não só a  acreditar, como a dar a mais ampla divulgação aos resultados de uma pesquisa eleitoral feita por um tal Instituto Phoenix, até porque, e a bem da verdade, longe de ser um instituto de pesquisas propriamente dito, se assim podemos dizer, trata-se de um especialista em manipular resultados.

Resumindo-se: quem desacredita nas pesquisas feitas pelo IBOPE, pelo VoxPopulli e pelo DataFolha e põe toda a sua crença nas pesquisas eleitorais elaboradas pelo tal Instituto Phoenix, com certeza, acredita na Mula Sem Cabeça, no Papai Noel e numa cédula de R$-25,00.

Ainda bem que só está faltando uma semana para sabermos quais institutos de pesquisas eleitorais que se comportaram como tal e devam ser respeitados, e quais aqueles que cinicamente manipulam seus dados. 

 

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