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Esquerda/direita

Esquerda/direita
Quando alguém se diz de esquerda ou de direita, o que se diz de esquerda é um populista e o de direita, um predador

Politicamente não há, nem ideológica e nem programaticamente, o menor sentido em se rotular, quem quer que seja de esquerda, menos ainda, quando alguém assim se auto-rotula. De outro lado, ser de direita, embora raramente alguém ouse assumir, igualmente. 
Lamentavelmente, para os desavisados, ou mais objetivamente, para os analfabetos políticos, os termos “esquerda/direita” passaram a rotular o comportamento dos nossos políticos. Quanta Insensatez! 
Decerto, uma coisa: o nosso continente latino-americano, de notória e indiscutível pobreza política, é o pedaço do planeta em que as tais conotações mais prosperaram e que já produziu os maiores estragos em suas correspondentes democracias. Vide o que a tal esquerda está fazendo na Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina e, porque não se dizer, no nosso país. Na segunda metade do século passado, os estragos foram produzidos pela tal direita, até porque, foi um tempo em que quase os seus países estiveram sob o comando de ditadores reconhecidamente de direita.  
Parece piada, mas não é: tais rotulações ganharam conotação política em razão de um pormenor que nada tinha a ver com a própria atividade política e, sim, como os jacobinos e os gerundinos ocupavam seus lugares nas Assembléias dos Estados Gerais ao tempo da Revolução Francesa. Outra não foi a origem de tais termos. Os jacobinos, extremamente radicais, sob o comando do ultrarradical Robespièrre, ocupavam os assentos que ficavam do lado esquerdo da Assembléia, enquanto os do lado direito, chefiado pelo moderado Jacques-Pierrra Brissot, eram ocupados pelo gerundinos.  
Outra dicotomia que tem sido igualmente prejudicial ao nosso país, também encontrou abrigo na nossa atividade política, afinal de contas, a exacerbação de dois outros rótulos - progressistas e conservadores - tem impedido que sejam feitas as mudanças que se fazem necessárias e que não conservemos o que não precisava ser mudado.    
No Brasil, na esteira do nosso inquestionável empobrecimento político-partidário-eleitoral, veio o descrédito dos nossos partidos políticos e, mais ainda, dos nossos representantes políticos. E é neste particular que mora o perigo e a explicação do nosso atraso.   
Chega de rotulações, até porque, no nosso caso, todos que conseguiram chegar ao poder foram acusados de direitistas e conservadores. FHC, por exemplo, chegou ao poder com um discurso de esquerda e de lá saiu rotulado de neoliberal. Presentemente o PT está fazendo coisas que antes dizia ser de direita. 
Concordo com quem teve a idéia de comparar o poder ao violino, ou seja: se pega com a esquerda, mas só se toca com a direita. Concluindo: o discurso da esquerda é mentiroso, porém sedutor; enquanto o da direita é verdadeiro, porém amargo.

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