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Chega de exageros!

Chega de exageros!         

O mais lento em prometer, é sempre o mais fiel a cumprir.      

                                                                                                           J. J. Rousseau.

        

Prometer uma coisa e fazer outra, ou ainda pior, que recorrentemente deletam suas promessas, tem sido uma prática que vem se arrastando, e já há bastante tempo, no nosso ambiente político. E outra não é a razão que acabou levando os nossos representantes políticos, com raríssimas exceções, ao mais absoluto e preocupante descrédito.     

         Como o nosso país terá que passar, necessariamente, por um ajuste fiscal, independente de quem venha se eleger nas próximas eleições, e como todo ajuste fiscal significa contenção de despesas e aumento das receitas, nada justifica o festival de promessas que está sendo patrocinado pelos atuais candidatos, tanto no plano federal quanto ao nível dos Estados.       

         Se ajuste fiscal e gastança não convivem sob o mesmo teto, prometer mais grana para a educação, mais grana para a saúde, mais grana para segurança, mais grana para infraestrutura, mais grana para isto e/ou para aquilo, e de outro lado, menos receitas, já que em suas correntes de promessas a redução da carga tributária é um dos seus primeiros elos, nem mesmo será possível compor suas equações, Menos ainda, a definição de suas incógnitas.

Mudar o que está aí, ainda que seja uma demanda exigida pela ampla maioria de nossa sociedade, ainda assim, as mudanças jamais acorrerão na velocidade como os mudancistas estão prometendo, até porque, um país com 200.000.000 de habitantes e com uma montanha de carências acumuladas, não será à base de promessas, nem da magia, e algumas delas meramente eleitoreiras, que as mudanças acontecerão, até porque, tão perigoso quanto o conservadorismo cego são as mudanças abruptas.    

         Se aos ouvidos de nossa sociedade a instituição em nosso país do ensino público e de boa qualidade, e em tempo integral, soa como música, e não seria para menos, em se tratando de uma promessa que demandaria algumas gerações para sua concretude, até mesmo pela impossibilidade temporal, trata-se de uma promessa que nenhum candidato deveria comprometer-se em realizá-la em quatro ou oito anos.

         Que a saúde pública do nosso país precisa melhorar, e muito, que as mudanças requeridas se façam acompanhadas do mais alto espírito público, até porque, pior que a mesmice, vem ser o retrocesso. Por fim: se já nos decepcionamos em demasia por havermos confiado naqueles que nos prometeram o paraíso e acabaram nos infernizando, é chegada a hora, ainda que muito tardiamente, de fazermos valer a nossa soberania, ou seja, de mandarmos para os quintos dos infernos aqueles candidatos que sequer foram capazes de mudar a si mesmos. 

Em relação à disputa pelo governo do nosso Estado, pelo volume de promessas, só poderemos chegar a uma única conclusão: alguns dos candidatos ignoram o alcance do nosso próprio orçamento. 

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