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Assim será

Assim será

Quando a esperteza é grande vira bicho e engole os espertos.

 

Em nosso país, no quesito esperteza, nosso sistema político-partidário não deve nada a ninguém, a não ser, aos próprios concorrentes do nosso mercado partidário, afinal de contas, a história está aí como testemunha: nossos partidos políticos agigantam-se e mínguam ao sabor dos interesses dos fabricantes dos partidos políticos. Outra não é a razão que levou a nossa estrutura partidária a comportar 32 partidos políticos e outros 20 e tantos apenas esperando seus alvarás para entrarem no forrobodó partidário.   

         Nas eleições de 1982, o então PDS, hoje PP, elegeu mais de 300 deputados federais, e por uma série de razões, entre elas, o fato de ser o partido que dava sustentação político ao governo de então, no caso, a ditadura militar ora existente. Enfim, fazer parte da base de sustentação política de qualquer governante em seu corresponde parlamento, tem sido e continuará sendo, o objeto de cobiça dos nossos dirigentes partidários. 

Dada a sua exuberante representação parlamentar, o PDS saiu das eleições de 1982 considerado como o maior partido político do ocidente. Nas eleições seguintes, a de 1986, o mesmo PDS só conseguiu eleger 33 deputados federais, ou seja, uma fração inferior a dois dígitos quando comparado com o desempenho obtido na disputa eleitoral de 1982.  

         Nas tais eleições de 1986, o gigantismo do PDS migrou para o PMDB, e com uma particularidade, o Congresso Nacional que acabava de ser eleito, acumularia poderes constituintes, já que iria elaborar, como de fato elaborou, a nossa Carta Magna. De mais a mais, nas diversas unidades de nossa federação, exceto no Estado de Sergipe, todos os governadores eleitos      pertenciam ao PMDB. Em síntese: através da soberania popular o PMDB conseguiu uma hegemonia política que só a Arena, o partido que dava sustentação à extinta ditadura militar havia conseguido.

A par disto, na recente disputa eleitoral, a duras penas, o PMDB só conseguiu eleger 60 deputados federais, e como se não bastasse, a sua já bastante minguada bancada vê-se seriamente ameaçada de perder alguns dos seus parlamentares recém-eleitos para alguns dos novos partidos a serem criados. Aliás, esta é a tarefa a que está se propondo o hoje Ministro das Cidades, Gilberto Kassab.   

         Quando criou o seu PSD, o sucesso de sua empreitada foi de tal ordem que o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab conseguiu compor uma terceira maior bancada na Câmara Federal, superior a do PSDB e só perdendo apenas para o PMDB e o PT.

Ao pretender criar um novo partido, exumando a sigla PL, que também ficará sob seu comando, a exemplo do que aconteceu com o PSD, Gilberto Kassab não só pretende aumentar o seu poder de fogo, como também, transformar o PMDB num partido nanico. A ver!

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Sérgio Malandro

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