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Habemus impeachment?

Habemus impeachment?

Se necessário for, sim. Conquanto a disputa pelo poder não seja a única motivação 

       

Os tucanos de hoje nos faz lembrar os petistas de ontem, melhor dizendo, os tempos em que o Palácio da Alvorada tinha o hoje ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como inquilino, já época, e de lá para cá, popularmente identificado pela sigla FHC. Era uns tempos em que, qualquer denúncia contra o seu governo, fosse qual fosse ela, já seria o bastante para a petezada tomarem às ruas entoando o seu mais recorrente bordão: “Fora FHC”.

        O tal brado era apenas uma das formas dos petistas anunciar o Lula-lá. Entretanto, eles próprios tinham ciência que no regime presidencialista, diferentemente do parlamentarista, não se faz o bota-fora de um governante, legal e legitimamente eleito, a base do grito, e sim, pelo cometimento de um crime de responsabilidade, conquanto seja fartamente comprovado.

        À época, para os petistas, os sindicatos, os movimentos estudantis e outras corporações da chamada sociedade civil organizada, sempre traziam, na ponta da língua, seus diversos seus bordões, preferencialmente, o “Fora FHC”, e mais ainda, quando do meado para o final do seu segundo mandato, a popularidade do governo FHC, e dele próprio, deslizavam ladeira à abaixo. 

As expectativas petistas acabaram dando certo, e a provar que sim, já se foram oito anos de Lula, já se passaram quatro da Dilma e ela mesma, segundo um diploma que lhes fora conferido pelo TSE-Tribunal Superior Eleitoral, manter-se-á no poder até 2018, afinal de contas, no regime presidencialista, o eleito é eleito, à redundância é proposital, para cumprir um mandato que tem dia e hora para começar e também, dia e hora para terminar, a não ser que venha ser arrastado por um impeachment, diga-se passagem, uma excepcionalidade nos regimes presidencialistas.    

Outra não é razão da minha aversão ao regime presidencialista e da minha admiração pelo regime parlamentarista, este último, entre outras vantagens, dada a sua capacidade de fazer o bota-fora de um governante que não esteja cumprido com seus compromissos eleitorais ou que venha se revelar incompetente para gerenciar a coisa pública. 

        Não sou petista, e nem nunca serei. Menos ainda dilmista. Portanto, sinto-me bastante à vontade para me colocar frontalmente contrário ao “Fora Dilma”, sobretudo, partindo de uma ala tucana que ainda não se conformou com os resultados da última eleição presidencial. Diria mais: que imaginam que um terceiro turno ainda é possível. No regime presidencialista não é.

        Se estivéssemos sob a égide do regime parlamentarista, com certeza, os 16 anos de poder do PT e os oitos de FHC, muito dificilmente, teriam ocorrido. Culpa de quem? Do regime presidencialista, e no nosso caso, o mais degradante, ou seja, um presidencialismo que se assenta numa estrutura partidária, além de anárquica, inexistente em qualquer democracia que se preze.  

Falando-se em compromissos não cumpridos, vale relembrar aquele que acabou se revelando na maior mentira já pregada em toda a nossa história republicana, qual seja: o PSDB foi fundado, tendo como principal propósito, estabelecer o regime parlamentarista em nosso país. E o que fez? Em chegando ao poder, além de jogar sua principal bandeira no lixo, e ainda por cima, fez aprovar a emenda da reeleição no regime presidencialista. Seu principal beneficiário: FHC. Quanta desfaçatez! 

        Pior: no regime presidencialista, só se chega ao poder à base da mentira. No regime parlamentarista mentiu, cai fora. Bem e acertadamente disse Otto Von Bismarck, estadista alemão: “Nunca se mente tanto como em vésperas de eleições, durante a guerra e depois de uma pescaria”.

        Por fim: tanto o “Fora DILMA” presentemente pretendido pelos tucanos, quanto foi o “Fora FHC” no passado, só vem justiçar o que, em um dos seus contos, o imortal Machado de Assis assim se reportou: “O diabo que entenda os políticos”. 

       

 

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