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Não apenas sua voz

Além de sua enfadonha voz, faltará ao candidato Sérgio Moro conteúdo para se tornar presidente

          O combate a corrupção não deverá ser encarado como uma qualidade para quem pretenda presidir o nosso país, a não ser para àqueles que comparam qualidade com obrigação. Isto dito ante aos diversos desafios que teremos a enfrentar: o desemprego, a fome, o baixo crescimento econômico e o nosso gravíssimo desequilíbrio social, entre outros, o combate a corrupção jamais terá o mesmo peso eleitoral que teve nas eleições de 2018.

          Não será os fonoaudiólogos, nem mesmo os mais preparados do nosso país, que farão de Sérgio Moro, por mais que melhore a sua voz, que o tornará num candidato competitivo a presidência da nossa República, posto que, continua faltando-lhes o fundamental: identificar os nossos problemas e sugerir as soluções.

          Em relação ao desemprego, por exemplo, a Operação Lava-Jato só o acentuou, e isto, em nome do combate a corrupção. Vide o que aconteceu com a nossa indústria da construção civil, presentemente destroçada. Puniram as empresas, muitas delas levadas a falência, enquanto os seus sócios, estes sim, os verdadeiros corruptos, já se encontram livres, leves e soltos.

          Se a nossa corrupção era e continua sistêmica seria contra o sistema que as ações das nossas autoridades deveriam ser dirigidas, a exemplo do que faz os religiosos de boa fé: condenam o pecado na busca de recuperar os pecadores.

          Os espalhafatosos espetáculos midiáticos promovidos pela Operação Lava-Jato em nada contribuíram para minorar a nossa corrupção, assim como a Operação Mãos Limpas, não amenizou a corrupção na Itália, tanto não, que o poder político daquele país acabou caindo nas mãos de Silvio Berlusconi, o mais corrupto e desastrado presidente dos italianos.

          Como estamos há menos de 11 meses das próximas eleições, pela exigüidade do tempo, Sérgio Moro não terá condições de tomar conhecimento da nossa realidade, menos ainda, das nossas desigualdades sociais e regionais, pior ainda, quando nos debates, vier a ser confrontado pelos experimentados Ciro Gomes, Lula e o próprio Jair Bolsonaro.

          Não há a menor possibilidade do candidato Sérgio Moro responder, a contento, as perguntas que lhes serão feitas pelos seus concorrentes, por maiores que sejam os seus malabarismos, e sempre que apelar para a finada Operação Lava- Jato, seus concorrentes dirão, em uníssono, que quem a julgou de parcial e incompetente foi o nosso STF, a instância máxima do nosso poder judiciário.  

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