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Palhaçada

O último e esperado debate entre os presidenciáveis fugiu de todas as regras, pois até um palhaço fake se fez presente.

     Num debate entre candidatos a presidente da República, faltando três dias para as eleições, com sete candidatos, e os exíguos tempos que lhes foram disponibilizadas para se fazer as perguntas e as respostas, inclusive sobre assuntos que há décadas não tem tido soluções, a exemplificar: saúde, educação e segurança pública, entre outros, por óbvio, nada restou  esclarecido, nem mesmo para os eleitores que definem seus votos após assistir o tradicional debate da TV-Globo.

     O que jamais se esperava era que o referido debate acabasse se transformando num circo de baixíssimo nível. Simplificando: até um falso padre foi transformado num palhaço. Lamentavelmente, a nossa precaríssima legislação político-partidária, admite coisas dessa natureza.

     Sempre discordei, por sermos um país laico, da mistura entre política e religião e mais ainda discordo de um sujeito que se diz padre sem que o seu nome seja reconhecido pela CNBB-Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a instituição que congrega os Bispos da Igreja Católica Romana, o segmento religioso que juntamente com os evangélicos reúnem a grande maioria dos brasileiros que professam a fé cristã.

     O falso padre a que estou me reportando, atende pelo apelido de padre kelson, e por incrível que possa parecer, tornou-se candidato a presidente da nossa República pelo PTB, em substituição ao candidato Roberto Jeferson, cuja candidatura fora cassada em razão de suas condenações judiciais.

     Se Roberto Jeferson já não era uma flor que se devesse cheirar, o que se esperar do seu substituto? Exatamente o que ele fez nos dois debates em que faz uso da palavra. Vamos em frente;

      Em qual, entre às milhares de igrejas existentes no nosso país, sejam as pregadoras do catolicismo ou do protestantismo, qual delas o referido padre faz as suas pregações? Prontamente respondo: em nenhuma delas. Algo mais precisa ser dito para restar provado que o tal padre Kelmon foi um farsante a serviço de interesses escusos?

      Após a apuração dos votos da próxima eleição teremos a comprovação que, exceto os votos de alguns irresponsáveis, o percentual de votos que o dito cujo irá obter não superará os 0,01%.

      Nossa democracia jamais se consolidará enquanto a nossa legislação eleitoral possibilitar  andidaturas tipo a do cacareco, um rinoceronte que o título de protesto, os eleitores da cidade do Rio de Janeiro, nas eleições de 1959, fizera dele o candidato mais votado para vereador.

      A candidatura do falso padre Kelsonn sequer representará o protesto que a candidatura de cacareco representou, justo por sê-lo um pilantra.

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