Colunistas

Integrar para não entregar

Entre 1964/1984, os brasileiros foram chamados oficialmente para ocupar a nossa Amazônia.  

O slogan acima “integrar para não entregar” foi proferido pela primeira vez pelo antão general Castelo Branco, em 1966, o primeiro dos generais a se tornar presidente nos 20 anos do chamado período revolucionário. Não sei quem foi o autor, mas outro slogan que também circulava vazava-se nos seguintes termos: que venha os povos sem terra para ocupar terras sem povos. A época, nada mais contemporâneo.    

Àquele tempo, muito se falava, cá dentro e mundo afora, sobre a internacionalização da nossa região amazônica. Daí as preocupações de povoar a referida região. A época ambos os slogans faziam sentido. Não é demais lembrar que vivíamos o período da chamada guerra fria.  EUA de um lado e a URSS de outro e ambos detentores dois maiores arsenais atômicos do mundo.   

Eu, particularmente, nunca cri nesta tal internacionalização, afinal de contas, a Amazônia Brasileira será sempre nossa. Sempre, sempre e sempre. Se interesses externos, e com bastante freqüência, têm feito da nossa Amazônia um dos temas centrais, nada contra, conquanto façam parte dos tratados internacionais do qual o Brasil tenha efetivamente participado e dado o seu respectivo aval. 

Como somos o país mais importante do mundo em se tratando de recursos naturais, não basta penas se falar em preservação das nossas florestas e do nosso incomensurável recursos hídricos, entre os muitos recursos que dispomos sem se levar em consideração as condições de vida dos 30.000.000 de brasileiros que vivem na região.

Se antes os povos, em particular, os brasileiros sem terras vieram ocupar uma terra sem povos, hoje as conversas são outras. Portanto, os países que se desenvolveram e se enriqueceram sem preocupações com o meio ambiente, precisam nos ajudar a preservarmos aquele que é, não apenas o nosso maior tesouro, como o maior tesouro da humanidade.

Lamentavelmente, os nossos governantes não souberam transformar os nossos recursos em riquezas, tampouco, fazer a sua justa distribuição. Não há explicação para o fato de sermos o país do mundo que produz o maior volume de alimentos e 19.000.000 de brasileiros estejam passando fome e outros 30.000.000 sendo subalimentados.

O judeu-austríaco Stefan Zweig, ao tomar conhecimento dos nossos recursos naturais, escreveu um livro intitulado “Brasil, País do Futuro” e o traduziu em vários idiomas, entre eles, alemão, sueco, inglês e francês e pela propaganda que fez em prol do nosso país, Stefan Zweig chegou a merecer o apelido de “camelot do Brasil na Europa”.

 

Artigos Publicados

Múltiplas opções

Pensem bem

Causas e feitos

Polarizada

Terminou a bagunça?