Colunistas

Chega de pessimismo

Saudades dos tempos em que as nossas multidões assim bradavam: “sou brasileiro com muito orgulho e muito amor”

  O Brasil tinha e continua tendo tudo para se transformar numa das principais potências do mundo, e em todos os seus aspectos, isto porque, nenhum outro país do mundo dispõe de tantos recursos quanto o nosso. Somos o 5º maior país do mundo em extensão territorial e em população, falamos uma única língua, nossas religiões convivem harmonicamente, dispomos do maior volume de florestas naturais e água potável, e mais ainda, estamos posicionados sobre uma única placa tectônica, condição que nos impede dos mais catastróficos acidentes da natureza.

  No século passado, durante seguidos 50 anos, o Brasil era o país ocidental que mais crescia. O nosso PIB crescia a taxas nunca inferiores a 5%, ano após ano. Não por acaso, chegamos a ser considerado a 6ª economia do mundo. Para cá vieram às maiores multinacionais e aqui instalaram as suas mega fábricas, e com elas, milhões de empregos foram gerados. O chamado ABC paulista, surgiu em razão disto, e em contrapartida, milhares de empresas brasileiras foram surgindo.  

  O nosso otimismo era de tal ordem, que o judeu-austríco, Stefan Zweig, fugindo do nazismo, aqui se estabeleceu e escreveu um livro intitulado “Brasil, o país do futuro”, até hoje, a mais completa obra publicitária a favor do nosso país. A referida obra chegou a ser escrita em várias línguas, no que muito contribuiu para que nos tornássemos, em todo o mundo, o país que recebia o maior número de imigrantes.

  Daí a pergunta que não pode calar: o que aconteceu e quais as causas responsáveis pela transformação do Brasil no país cujo progresso passou a não corresponder com as expectativas que eram cantadas em versos e prosas? Simples assim: politicamente não evoluímos. Diria até, os nossos representantes políticos, como bem dizia o saudoso Roberto Campos, dificultam a transformação dos nossos recursos em riqueza, pois só pensam numa coisa: como ascender ao poder político. E o mais grave: as suas lutas se dão à base do vale tudo, ainda que em prejuízo da nossa própria democracia, sobretudo, num país que veio adotar o regime presidencialista, este em si mesmo, um regime gerador de crises.

  A propósito, basta compararmos os regimes estabelecidos nos países europeus e o presidencialista estabelecido nos países sul-americanos, uma cópia mal acabada do único regime presidencialista que vem dando certo, o dos EUA, e isto porque, lá, as suas instituições estão prontas e preparadas para frear os aventureiros. Vide o que aconteceu com Donald Trump. Ademais, sua legislação político eleitoral não permite que suas casas parlamentares fossem transformadas em balcões de negociatas. Lá, às negociações com o parlamento se dão às claras e via partidos políticos.

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