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Infidelidade inaceitável.

A abertura de uma janela que possibilita o troca-troca de partidos, meio ano antes das eleições, é um vexame

      Nas democracias que se prezam, não apenas os partidos políticos exercem fundamental importância, assim como, a fidelidade daqueles que aderiram a este ou aquele partido. Os EUA e o Reino Unido, outros países poderiam ser citados. Daí a estabilidade de seus regimes governamentais. Neles também é considerado o tempo de permanência para àqueles que pretendam disputar um mandato eletivo. Os filiados de última hora jamais conseguirão se candidatar.

       Aqui no Brasil, para além da exagerada quantidade de partidos políticos, sendo ou não detentor de mandato eletivo, faltando apenas seis meses para as eleições, será aberta uma janela que possibilita a todos que prefiram trocar de partido. Este é um dos mais grotescos exemplos de desapreço aos nossos partidos políticos e o descrédito de todos eles.

       Pior ainda: se legalizado junto ao TSE-Tribunal Superior Eleitoral, de pronto, todos eles passam a comer na gamela dos fundos partidários e eleitoral e a uma série de outras vantagens. Não por acaso, muitos deles funcionam como se fossem micro-empresas.

       A propósito, lembremos dois dos nossos presidentes que se elegeram tendo se filiado a um partido, seis meses antes de suas próprias eleições: Fernando Collor, ao PRN, que sequer mais existe, e Jair Bolsonaro, ao PSL, este em via de extinção. Portanto, em continuando como se encontra, jamais construiremos as estruturas partidárias que tanta tem feito falta a consolidação da nossa democracia. Ainda bem que nas eleições municipais de 2020, as coligações nas eleições proporcionais foram extintas, mas num golpe de esperteza, para as próximas eleições, restaram permitidas as federações partidárias, um retrocesso quando comparado ao fim das coligações partidárias.

       Até o final do mês de abril próximo, diversos detentores de mandatos, a se destacar: senadores, deputados federais e estaduais, abandonarão os partidos através dos quais foram eleitos e se filiarão a outros partidos dependendo, é claro, das vantagens que lhes forem percebidas ou ofertadas. Esta bagunça, e ponha bagunça nisto, já poderemos anunciar.

      O nosso país precisa, urgentemente, de diversas reformas constitucionais, mas como todas elas dependerão daqueles que comporão o nosso Congresso Nacional, a reforma do nosso sistema político-partidária/eleitoral deveria ser prioritária. Do contrário, o presidente da República que vier a ser eleito, independente de quem seja, será obrigado a fazer as mais esquisitas composições a fim de compor a maioria que precisará para aprovar os seus projetos, e para tanto, a moeda de troca a ser utilizada será a mesma, no caso, o velhaco “toma-lá-dá-cá”

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Sérgio Malandro

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