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De super a micro

O Ministro da Economia Paulo Guedes caiu no descrédito do mercado. Sequer dispõe das chaves do Posto Ipiranga.       

   A irresponsabilidade fiscal, historicamente, tem sido a última apelação dos governantes que, em apuros, sobretudo nos períodos que antecedem as eleições, passam a praticá-las. Entretanto e invariavelmente, sempre que isto acontece todos os demais indicadores econômicos, e por extensão, os sociais, serão sensivelmente prejudicados.    

   Quanto a elevação do “bolsa família”, dos atuais R$-189,00 para R$-400,00 por mês, nada contra, até porque, se temos 20.000.000 de brasileiros passando fome e mais de 30.000.000 sendo sub-alimentados esta decisão se impôs, conquanto a responsabilidade fiscal não seja mandada às favas. Do contrário, o próprio benefício, no curto e médio prazo, se transformará em algo ainda mais grave. Tirar dos pobres para dar aos paupérrimos é um risco.   

   O limite de gastos e as definições das despesas, no nosso e em qualquer país, estão determinados em seus próprios orçamentos. Portanto, quando se faz necessário a criação de novas despesas, os recursos para financiá-los hão de vir dos cortes de outra ou de outras despesas previstas em seus próprios orçamentos. Afinal de contas, a matemática econômica não admite mágicas.  

   Lamentavelmente, no nosso país, o nosso orçamento federal, e por extensão, os estaduais e os municipais, vêm sendo sistematicamente desrespeitados, a despeito dos seus tetos de gastos terem sido constitucionalmente instituído no governo do então presidente Michel Temer, ao tempo em que fora consagrado como uma decisão amplamente oportuna e bastante elogiada.

   A elevação do valor do bolsa família seria possível sem se furar o teto de gastos? Poderia sim, conquanto os recursos que se fizessem necessários, fossem extraídos de outras despesas previstas no próprio orçamento, a se destacar, àquelas provenientes dos elevadíssimos salários e aposentadorias, ou seja, daqueles que um dia o ex-presidente Fernando Collor denominou-os de marajás. Outra fonte seria a diminuição das isenções fiscais conferidas as nossas grandes e bilionárias empresas.  

   O liberalismo econômico não prevalecerá sem responsabilidade fiscal, e menos ainda, com o desumano desequilíbrio social vigente em nosso país. Neste particular, o ministro da economia, Paulo Guedes, não apenas nos tem  decepcionado como tem demonstrado que não se encontra a altura de administrar a crise fiscal que ora vivenciamos.  

   A propósito, da equipe que formou quando pousava como hiper-ministro e portava as chaves do Posto Ipiranga, praticamente, todos os seus assessores já debandaram. Isto dito, só lhes restará como alternativa seguir seus companheiros ou continuar administrando o desastre que ele próprio já provocou na nossa economia.

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