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Eles abundam

 Não será por escassez de candidatos que os nossos eleitores terão dificuldades para escolher os seus próximos prefeitos.

Os sucessores dos atuais prefeitos, mesmo àqueles que vieram disputar as próximas eleições e conseguir se reelegerem, já que a nossa legislação confere-lhes este direito, precisam ser bastante econômicos e responsáveis em suas promessas, isto porque, os quatro anos que os aguardam, em todos os aspectos, serão extremamente difíceis, sobretudo, no que diz respeito àquilo que mais buscam, no caso, as chaves dos cofres que guardarão as minguadas receitas dos nossos 5.560 municípios, até porque, o pós-coronavirus lhes imporão a gerir a mais grave crise fiscal de toda a nossa história, e em sendo os municípios, entre todos os entes da nossa federação, os menos aquinhoados quando da repartição dos nossos recursos públicos, pior irão se encontrar.   

Ainda assim, em todos os nossos municípios, abundam a quantidade de candidatos que se dispõem a entrar na próxima disputa municipal e todos eles achando-se capazes de superar todas as dificuldades que advierem. E o pior: a fazerem promessas que jamais poderão cumpri-las.

Em razão do tempo que passei a dispor por conta do isolamento social que o coronavirus me impôs, de repente, deparei-me com uma das grandes obras do extraordinário Raul Seixas, e dela destaquei a seguinte estrofe: “Mamãe, não quero ser prefeito, pode ser que eu seja eleito e alguém queira me assassinar. Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz, não quero ir de encontro ao azar”. E os tempos eram outros!

A propósito, e em razão dos muitos anos que estive envolvido com a atividade política, do qual não me arrependo, embora não pretenda revivê-los, de quando em vez, recebo alguns telefonemas de pessoas que se dizem candidatos a prefeito, e a seguir acrescenta: minhas chances de vitória são as melhores possíveis.

De pronto, respondo-lhes: não me sinto a vontade para parabenizá-lo, até porque, a sua chance de ser prefeito, e da nossa capital, Rio Branco, em particular, veio numa das mais incômodas das oportunidades. Apenas advirto, parafraseando Raul Seixas: não vá de encontro ao azar.

Ser prefeito na próxima quadratura, como uma a missão a ser cumprida, ainda bem, entretanto, àqueles que se elegeram prometendo o que jamais poderiam cumprir, e a partir de então, sem alternativa, começar a reclamar da herança maldita que recebera, pois esta tem sido quase uma regra, por certo, se tornará em mais um daqueles que em muito irá contribuir para transformar a nossa atividade política nisto que está aí, ou seja, num valhacouto de incompetentes e desonestos.

Aos candidatos, indistintamente, recomendo autopsiar os orçamentos dos municípios que governarão. Do contrário, darão de cara com o azar.

 

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