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Ambos ausentes

         Sem partidos políticos estruturados e dada a escassez de lideranças, só temos regredido.  

      O governador recém-eleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, há menos de um ano das eleições próximas passadas não tinha domicílio eleitoral no referido Estado e nem era filiado a nenhum dos nossos partidos políticos.

       Ainda assim tornou-se candidato a governador e acabou se elegendo, legal e legitimamente, posto que, em relação a nossa legislação eleitoral ele cumpriu com todas as exigências que lhes foram feitas. E o que esteve errado? A nossa própria legislação.

      Em primeiríssimo lugar, a pouca ou nenhuma importância que ao longo de nossa história temos dado aos nossos partidos políticos, cuja finalidade predominante tem sido a de emprestar sua sigla para acomodar suas convenientes candidaturas. Oportunamente lembremos: no último mês de março, com a abertura de uma janela partidária, através dela, mais de 130 congressistas evadiram-se dos partidos através dos quais se elegeram e mantiveram seus mandatos.

      Nos EUA e no Reino Unido este troca-troca simplesmente não existe, ou mais precisamente, não pode acontecer, seja por fidelidade partidária ou o que é ainda mais importante, em respeito aos seus próprios eleitores.

     Não apenas acriticamente, mas a título de exemplo, dois candidatos que disputaram e chegaram à presidência da nossa República, já haviam pertencido a mais de meia dúzia de partidos diferentes, no caso, Jair Bolsonaro e Ciro Gomes. Nas eleições de 1989, a primeira após a nossa redemocratização, Fernando Collor de Melo se elegeu presidente da República filiado ao PRN, um partido sem nenhuma expressão política e menos ainda, provido de musculatura eleitoral. Desprovido de apoio congressual e outras condicionantes tornou-se vítima do primeiro impeachment de nossa história.

     Sem partidos políticos propriamente ditos, as nossas eleições presidenciais acabam favorecendo, como aconteceu com o atual presidente Jair Bolsonaro, o candidato que melhor soube encarnar a figura do herói. Propositadamente, esquecemos o que disse o contista alemão Bertolt Brecht: “Infeliz a nação que precisa de heróis”.

   Herói para uns e anti-herói para outros, assim no dia 30 de outubro próximo passado nos dirigimos às urnas para fazermos a escolha que republicanamente imaginávamos que fosse entre dois candidatos, mas não, tratava-se de uma disputa entre dois heróis.  

     Das duas, uma: ou cuidamos de dotar o nosso país de uma legislação anti-herói ou continuaremos na busca de um deles.

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