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Tudo pela reeleição

O regime presidencialista, ao possibilitar o direito a reeleição, resultou nos abusos que ora vivenciamos.

  Uma mãe ou um pai de família, jamais contrataria a babá de um filho, por prazo fixo e determinado, independente do seu desempenho. Portanto, nada justifica que se entregue a chefia de um Estado e a do governo de um país, a quem quer que seja por um prazo fixo e determinado. Isto só acontece nos países que adotam o regime presidencialista, e para piorar, alguns deles, a exemplo do nosso, ainda possibilitam a reeleição dos seus detentores, particularmente, nos poderes executivos.       

  Tenho a gestão do ex-presidente FHC em boa conta, embora politicamente ele tenha cometido dois dos mais graves erros de toda a nossa história, quais sejam: ao invés de ter mandado para as profundezas dos infernos o regime presidencialista, ainda fez aprovar uma emenda a nossa constituição de sorte a possibilitar a sua reeleição e dos demais detentores de mandatos executivos. Isto resultou no presente desastre.   

  Na Europa, sabidamente, o continente politicamente mais evoluído e estável do mundo, o regime presidencialista já foi varrido do seu mapa, enquanto isto, no nosso atrasadíssimo e conturbado continente latino-americano, o referido regime continua prevalecendo, e com ele, as suas usinas de crises operando a pleno vapor.

  A própria história do nosso regime presidencialista se assemelha a uma usina de crises, e enquanto perdurar, tantas serão as crises que teremos a enfrentar. Portanto mudá-lo, deveria ser um imperativo de ordem moral, ética e política. Lamentavelmente, este assunto só entra nos nossos debates políticos às vésperas das eleições, para logo a seguir, não ser apenas esquecido como defendido por todos aqueles que conseguem ser ungidos ao poder, ainda que, como ora está acontecendo, a palavra impeachment volte a ser bradada.

  Eu, particularmente, não votei e nem votarei no presidente Jair Bolsonaro caso venha ser candidato a sua reeleição, ainda assim, sou contra ao seu impeachment, justamente por entender que este instrumento não é causa, e sim, efeito do nosso inadequado regime, o presidencialista. De mais a mais, a sua eleição se dera segundo as regras estabelecidas. Se sua eleição se dera em razão do anti-petismo que imperava no nosso país, jamais por sê-lo minimamente capacitado para enfrentar os desafios da chefia do nosso estado, e menos ainda, a chefia do nosso governo. Em síntese: quem volta a título de protesto acaba se arrependendo.

  No regime parlamentarista, também chamado de governo de responsabilidade, basta que o governante se revele incompetente para que sua substituição aconteça e dentro da mais absoluta normalidade. Para tanto, basta que lhes seja aplicado o chamado voto de desconfiança.

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