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Esquerda/Direita

 As rotulações “esquerda/direita” se espalhou em todo o mundo e não produzido bons resultados.      

Da revolução francesa herdamos às designações esquerda/direita. Estas denominações apenas se prestavam para determinar os lados em que os jacobinos e os gerundinos tomavam seus assentos na assembléia constituinte que promoveu a referida revolução.

Tidos como moderados e conciliadores, os girondinos ocupavam as cadeiras que ficavam à direita da assembléia, e os jacobinos, bem mais exaltados e radicais, sentavam-se a esquerda. Esta dualidade espalhou-se em todo o mundo, particularmente, nos seus respectivos sistemas políticos. Esta divisão acentuou-se no tempo da chamada guerra fria, quando os EUA, tidos como direitistas e a então URSS, como esquerdistas, chegaram a ameaçar o mundo com uma terceira guerra mundial.   

Aqui no nosso país, em razão da frouxidão da nossa legislação eleitoral e para acomodar os mais diversos interesses, tanto a nossa direita quanto a nossa esquerda não apenas se estabeleceram como se fragmentaram. A partir de então, cada fragmento constituiu-se num partido político e passaram a se autodenominar: extrema direita, direita, centro-direita, centro, esquerda, centro esquerda, e extrema esquerda.

Disto tem resultado, em nossas Casas Parlamentares, representantes de dezenas de partidos. Na nossa Câmara dos Deputados, os seus 513 integrantes advêm de 25 partidos políticos distintos. Assim sendo, seja quem for o presidente da República e a que partido pertencer, para formar sua indispensável base de sustentação política, só lhes resta fazer o que vem sendo feito desde a primeira eleição após a nossa redemocratização: partir para as negociatas, ou seja, para o chamado toma-lá-dá-cá.

Nas eleições que se aproximam, urge que os nossos eleitores não se atenham a nenhuma das denominações acima e votem nos candidatos que sua consciência recomendar. Esqueça às denominações: esquerda e direita e vote direito, ou mais precisamente, nos candidatos que lhes inspire o maior grau de confiança, afinal de contas, como todos não são iguais, nem em honradez e nem em competência, ainda que o eleitor possa se valer do direito de não votar, jamais poderá abdicar do dever de votar.

A criminalização da nossa atividade desserve a nossa democracia e só empobrece a nossa República. Portanto, ao invés de criminalizá-la, precisamente melhorá-la, e esta melhora depende fundamentalmente do voto popular. Em qualquer democracia, e a nossa em particular, precisa de radicais mudanças na nossa legislação eleitoral e, sobretudo, do comportamento dos nossos eleitores.

Estamos há 100 dias para escolhermos os nossos representantes políticos e há tempo para que nossos eleitores façam as melhores escolhas.  

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