Colunistas

Saia justa

Ao ser entrevistado no programa “Roda Viva” o Ministro da Justiça Sérgio Moro, abusou dos seus é, é, é...

        Por longos quatro anos, enquanto estrela de primeira grandeza da Operação Lava-Jato, o então juiz Sérgio Moro foi alçado à condição de celebridade nacional. Para muitos, um herói. A propósito, o seu nome chegou a ser lembrado como candidato à presidente da República nas eleições próximas passadas. Nesta condição, o que dissesse e o que fizesse, era de pronto aplaudido pela grande maioria da nossa população, isto porque, a bandeira que empunhava não poderia ser mais sugestiva, no caso, o combate a corrupção, este por sua vez, o mais agressivo cupim da nossa República. 

         Eu, particularmente, cheguei a me entusiasmar com a referida operação, e em particular, com o próprio juiz Sérgio Moro. Para tanto, bastou que ouvisse dele, e de viva voz, o seguinte diagnóstico: “a nossa corrupção é sistêmica”. Nada mais oportuno e preciso.

.        Como o meu entusiasmo, em se tratando do combate a corrupção, nunca foi e nem nunca será incondicional, isto porque, de falsos moralistas a nossa história é repleta de maus exemplos, pois neste particular, os nossos heróis nunca conseguiram esconder que os seus pés eram de barro, na medida em que Operação Lava-Jato passou a cuidar tão somente dos efeitos e não das causas da nossa corrupção, comecei a desacreditar na referida operação, e a crer que, os seus reais propósitos eram prioritariamente políticos e não moralizadores.

         Lamentavelmente, contra o sistema que estava instalado em nosso país a Operação Lava-Jato pouco ou nada conseguiu fazer, afinal de contas, ao se satisfazerem com os freqüentes espetáculos midiáticos que iam sendo produzidos e, espalhafatosamente, veiculados pela nossa grande imprensa, os integrantes da referida operação ao invés de combater o nosso sistema, sabidamente corrompido, passaram a cuidar tão somente dos seus efeitos.

         Pior ainda: independente das informações tornadas públicas pelo site The Intercept, facilmente se percebia o viés político da Operação Lava-Jato,  fato que veio a se confirmar através de uma ação francamente criminosa tendo como autor o próprio juiz Sérgio Moro. Reporto-me aos grampos realizados em diversos telefonemas da então presidente Dilma Rousseff, diga-se de passagem, um crime tipificado de lesa-pátria. E mais ainda: ao largar a toga, tantas vezes negado pelo próprio e se tornar Ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, restou escancarado os seus reais propósitos, qual seja, o de se candidatar a presidência nas eleições de 2022, e ao que tudo nos faz crer, o próprio presidente Jair Bolsonaro já não descarta tal possibilidade.

         Quem assistiu a entrevista do ainda Ministro Justiça Sérgio Moro, no programa “Roda Viva” e soube interpretá-la, pelas não respostas dadas a várias perguntas, terá concluído o que ele fará, quando 2022 chegar.     

 

Artigos Publicados

Vacine-se

Coronavac

Interesses e amizades

Nada a ver

Pecado capital