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O dragão voltou

Se não bastasse o elevadíssimo número de desempregados no nosso país, o dragão da inflação já se faz presente

    A quem responsabilizarmos pela existência de 20 milhões de brasileiros que estão passando fome, e em maior quantidade, a dos subalimentados, ao tempo em que somos, reconhecidamente, entre todos os países do mundo, um dos maiores produtores de alimentos?

    Diz o adágio popular: em casa que falta pão todos gritam e ninguém tem razão. Entretanto, este não vem ser o nosso caso, posto que, o direito a alimentação, no nosso país, tem sido justamente aquele que mais tem sido brutal e desumanamente violado, e isto, enquanto somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo.   

     A fome no nosso país não é um legado exclusivo da Covid-19, pois os milhões de brasileiros que passam fome têm como causa maior o nosso desequilíbrio social, este sim, um dos mais desumanos do mundo.

      Indiscutivelmente, a Covid-19 possibilitou que os nossos famintos fossem identificados e contabilizados, porquanto premidas pelas suas trágicas conseqüências, as nossas autoridades viram-se obrigadas a instituir programas sociais no sentido de socorrê-los. Do contrário, par e passo com a pandemia, o caos social já teria se estabelecido.   

     Não é a falta de pão, e sim, a forma como vem sendo repartido, que a fome se estabeleceu no nosso país, enfim, o histórico da nossa fome antecede a pandemia da Covid-19, embora esta o tenha agravado. A propósito, os nossos famintos sempre tiveram seus endereços identificados, inclusive regionalmente, embora sejam encontrados nos Estados economicamente mais evoluídos do nosso país, em particular, nos seus bairros periféricos. Na cidade de São Paulo, esta por sua vez, tida e havida como a locomotiva econômica do nosso país, 50.000 brasileiros estejam dormindo debaixo de pontes, viadutos ou em locais não condizentes com a dignidade humana.

     Somos um país em que poucos têm muito e muitos tem pouco ou nada. E o pior: a capacidade do Estado brasileiro em socorrer os milhões que se encontram abaixo da linha da pobreza encontra-se esgotada. De outro lado e não menos preocupante vem ser a incapacidade das nossas empresas privadas em promover o nosso desenvolvimento econômico.

      Pior ainda: no que depende das nossas autoridades políticas, ao invés de soluções, os nossos problemas só tem se agravado, pois suas atenções estão inteiramente voltadas para as eleições de 2022 e nem mesmo a polarização Lula/Bolsonaro tem motivado a chamada terceira a encontrar um candidato em condições de nos trazer o mínimo de tranqüilidade e de esperança.

     No nosso horizonte só conseguimos observar o crescimento dos desempregados, da miséria, da violência pública, e mais recentemente, o retorno da inflação, mais uma chibata a castigar os mais pobres.

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