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A única saída

Em seu depoimento, sobre as rachadinhas, só restará ao hoje senador Flávio Bolsonaro confessar o óbvio.     

A justiça jamais será feita na medida e no grau desejável, quando em qualquer investigação os acusados não forem escolhidos, a dedo, sobretudo, em se tratando de um crime que vem sendo praticado, por anos a fio, em uma determinada organização.  

Não somente na Alerj-Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro as chamadas verbas parlamentares foram e continuam malversadas, sim e também, no Senado, na Câmara dos Deputados e em todas as nossas Assembleias Estaduais. Idem, nas Câmaras municipais das nossas principais cidades, particularmente, as das nossas capitais.      

Se a Operação Furna da Onça fosse estendida às demais unidades da nossa federação, em todos os gabinetes, iríamos encontrar os funcionários que desempenham as mesmas funções que Fabrício de Queiroz desempenhou no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. Digo ainda mais: eles são facilmente identificados. Como assim? Por serem os de maior confiança do seu respectivo parlamentar.   

Que a família Bolsonaro tenha sido bastante beneficiada com as tais rachadinhas, há que se creditar este fato a outro fato, qual seja, ao elevado número dos familiares do hoje presidente Jair Bolsonaro integrando as nossas Casas parlamentares. Carlos Bolsonaro, vereador da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo Estado por São Paulo e o paizão, Jair Bolsonaro, há 28 anos deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro.

Se continuar negando que não as praticou, aos supostos crimes que vem sendo acusado, ainda lhes restará à incômoda condição de maior mentiroso do nosso país. No seu lugar, eu confessaria que tinha feito o que já vinha sendo feito em todas as nossas Casas parlamentares e, portanto, apenas seguiu as regras do jogo que estava sendo jogado. Se assim procedesse, não estaria sendo enxovalhado como o único parlamentar do Brasil que usou e abusou das tais rachadinhas.

Se assim procedesse e as suas confissões resultassem na moralização dos recursos das chamadas verbas parlamentares, em particular, dos recursos derivados das chamadas verbas parlamentares, tanto ele quanto os integrantes das famílias Bolsonoro/Queiroz, mereciam ser premiados, e não punidos, isto como resultado de tão oportuníssima delação. Do contrário, as rachadinhas continuarão, e pelo simples fato: por serem as meninas dos olhos dos nossos parlamentares.           

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