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Política e religião

A nossa liberdade política e religiosa estão asseguradas na nossa constituição, ou seja, nas nossas máximas leis

          Sou a favor do partido X e irei votar no candidato Y. Quem assim se declara o faz plenamente acobertado de toda legalidade e de legitimidade. De igual forma, àqueles que decidem professar uma religião. A propósito, somos os um país laico, ou seja, não dispomos de uma religião oficial, e como principal e benéfica conseqüência, no nosso país, árabes e judeus convive harmonicamente, e por extensão, até mesmo com àqueles que não professam nenhuma religião, no caso, aqueles que se declaram como ateus.

           É da livre manifestação de cada um dos nossos cidadãos ou cidadãs, fazer a escolha de sua ideologia política e da sua própria fé. Neste particular, por anos a fio, tínhamos conseguido viver na mais louvável harmonia. Éramos considerados como exemplo a ser seguido pelos diversos países que não havia, por questões de natureza política ou religiosa, conviver pacificamente.

          Ultimamente, a luz da realidade e a bem da verdade, diga-se: alguns líderes, ou mais precisamente, alguns falsos líderes religiosos, estão tentando envolver a nossa atividade política com a fé que dizem professar, a ponto dos votos dos religiosos terem se transformados em verdadeiros currais eleitorais.

          Não raramente, os púlpitos que deveriam ser ocupados pelos pregadores de uma determinada religião, sobretudo nos períodos que antecedem as nossas eleições, estão sendo ocupados pelos candidatos que disputam um mandato eletivo.

          Sou cristão e dotado de fé, mas discordo frontalmente da mistura que estão tentando fazer da política com a religião. O exemplo a seguir é emblemático. Pressionado pelos evangélicos, quando da vacância de um dos 11 integrantes do nosso STF-Supremo Tribunal Federal, a instância máxima do nosso poder judiciário, num lance demasiadamente inoportuno, o presidente Jair Bolsonoro prometeu que iria nomear um evangélico para ocupá-lo. Pior ainda: em suas próprias palavras, um terrivelmente evangélico.

          Eu particularmente, faço o melhor juízo do mais novo Ministro do STF, André Mendonça, mas pelo saber político, pela sua conduta ilibada e demais qualidades exigidas para quem irá exercer tão elevada e importante missão. Nada a ver com a sua condição de evangélico, pior ainda, de terrivelmente evangélico. Se compusesse o nosso senado, teria votado a favor do seu nome, mas teria feito a seguinte ressalva: a sua condição de terrivelmente evangélico, o motivo alegado pelo presidente Jair Bolsonaro para nomeá-lo, jamais o levaria em consideração. 

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Sérgio Malandro

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