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Um golpe atrás de outro

A República presidencialista, a nossa, em particular, de pronto, foi criticada pelos seus precursores.

  Esta não era a República dos nossos sonhos. Esta foi à reação da maioria daqueles que verdadeiramente defendiam o regime republicano. Bem a propósito, Martinho Prado da Silva Jr foi seguido por diversos outros precursores que puseram fim a monarquia vigente, entre eles Saldanha Marinho e que se decepcionaram com a República que emergira e que fora instituída.   

  Como todo movimento político vitorioso, o povo encheu as nossas ruas para comemorá-lo, sem sequer saber quais foram as suas verdadeiras  causas, e menos ainda, quais seriam as suas conseqüências. Ante a tudo que assistia Aristides Lobo assim se pronunciou: “o povo assistiu bestializado a proclamação da nossa República”. Pior ainda, bestializados continuamos com as diversas versões e as suas desastrosas conseqüências.  

Do de 15 de novembro de 1889, até hoje, as decepções daqueles que tem a mínima noção do que venha ser uma República, só tem crescido, posto que, cada vez mais, menos o povo tem se beneficiado.  

  Disto resultaram os vários apelidos que foram dados a nossa República, e cada um deles adequados aos interesses da maioria dominante. O primeiro apelido que lhes fora dado foi o de República dos Marechais, dada a eleição de dois deles, os Marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, o primeiro como presidente e o segundo, como vice-presidente, para cumprir o primeiro mandato da nossa nascente República. Bem à propósito, Deodoro da Fonseca sequer conseguiu cumprir o seu mandato, golpeado que fora, logicamente, com o apoio do seu vice-presidente, Floriano Peixoto.

  Da República dos marechais, emergiu a chamada República do Café com Leite, na qual, apenas representantes dos Estados de São Paulo e Minas Gerais poderiam ascender à presidência da nossa discricionária República, motivo o bastante para que os demais Estados se insurgissem e determinassem a chamada revolução de 1930, e com ela, a presença de Getúlio Vargas na presidência da nossa República. Tudo isto em nome do fortalecimento da nossa República e da nossa própria democracia. Resultado: 15 anos de ditadura, cujo fim se dera em 1945. Ironias à parte, o mesmo Getúlio Vargas retorna ao poder, em 1950, desta feita legal e legitimamente eleito, porém as continuadas crises acabaram levando-o ao seu próprio suicídio.

 Novamente a nossa instabilidade política resultou na chamada revolução de 64 e numa 2ª ditadura, esta por sua vez derivada de um movimento promovido pelos civis e que resultou na presença dos militares no poder, e por longos 20 anos. Por fim: o que esperarmos até e após 2022?

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