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Péssimos presságios

Novas eleições, novas esperanças, entretanto, não nos parece ser o que esperamos das eleições de 2022

           A polarização Lula/Bolsanaro tem tudo a ver com a precariedade do nosso sistema político/partidário/eleitoral, algo que em todas as melhores democracias são fundamentalmente importantes e observados. A  exemplificar, vejamos a importância dos partidos políticos nos EUA, na Inglaterra, na Alemanha e nos demais países que buscam melhorar as suas próprias democracias, e de outro lado, os recorrentes desastres nos países que menosprezam e que até debocham da importância dos partidos políticos.

           Oportunamente lembremos uma das preciosidades da extensa e boa lavra do maior estadista do século XX, Winston Churchil: “a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”. Desta expressão poderemos extrair a mais óbvia de todas as conclusões: que a democracia é um regime que necessita de permanentes e constantes aperfeiçoamentos.

             No Brasil, historicamente, os nossos partidos apenas tem se prestado para acomodações de candidaturas, independente de ideologias e de preferências por este ou aquele sistema de governança. Este comportamento vem desde a proclamação da nossa República, e da lá para cá, só tem se acentuado e se degradado.

            Como exemplo do menosprezo aos nossos partidos políticos, presentemente, poderíamos citar, entre outros, o fato do nosso presidente Jair Bolsonaro, ainda sem partido, embora já tenha pertencido a oito partidos distintos. De igual forma tem sido o comportamento do presidenciável Ciro Gomes e suas múltiplas e freqüentes mudanças. Devidamente contabilizadas, já pertenceu a oito partidos distintos.     

            Da nossa bagunçada estrutura partidária resultou a presença nas nossas Casas Legislativas, em particular, no nosso Congresso Nacional, de representantes de 28 partidos políticos, desta feita, impondo o que em princípio foi denominado de presidencialismo de coalizão, e com passar dos tempos, no que ora verificamos, no presidencialismo de cooptação.

            Desde a nossa redemocratização, por imposição da fragmentação partidária presente em nossas Casas legislativas, a se destacar, no nosso Congresso Nacional, todos os nossos presidentes viram-se obrigados a aderir a cooptação, como sendo o único e isolado instrumento para compor suas eventuais maiorias.

         Ao aderir ao chamado Centrão, o presidente Jair Bolsonaro apenas fez os que os seus antecessores já haviam feito. Do contrário, a espada do impeachment continuaria ameaçá-lo e o seu próprio pescoço já teria sido decepado, a exemplo do que aconteceu com os ex-presidentes Collor e Dilma.

            Por fim: ou acabamos com a fragmentação partidária nas nossas Casas Legislativas ou nossos governantes serão obrigados a agir como vem agindo.   

 

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