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Durou pouco

O fim das coligações partidárias nas eleições parlamentares foi um monumental erro.

Nas eleições municipais de 2020 as coligações partidárias foram proibidas e os resultados foram os mais auspiciosos possíveis, mas não foi o suficiente tornar o nosso sistema a altura do que acontece nas melhores democracias.  Ainda assim foi uma excepcional decisão e um bom começo, embora o prazo de validade tenha vencido no curtíssimo prazo.  

Lamentavelmente, nas eleições deste ano, uma espécie de meia sola, a chamada federação partidária passou a prevalecer, descaracterizando o fim das coligações proporcionais, posto que, os partidos voltaram a se coligar, conquanto que, obedecendo algumas regras pré-estabelecidas, entre elas, a de que os eleitos pelos partidos federados se mantivessem alinhados politicamente até o final dos seus mandatos. Foi apenas um drible.  

Para comprovar a anarquia do nosso sistema, a nossa própria legislação estabeleceu uma manobra denominada de janela partidária, através da qual, mais de 140 congressistas já trocaram de partido para concorrer nas próximas eleições.                  

Sem o mínimo de fidelidade partidária e sem o menor respeito aos seus próprios eleitores, os nossos representantes trocam de partido segundo seus próprios interesses e conveniências e assim procederam no curso dos seus próprios mandatos. A exemplificar, o próprio presidente Jair Bolsonaro, eleito pelo PSL encontra-se filiado ao seu outrora adversário, o PL, comandado pelo deputado federal Waldemar da Conta Neto, uma das mais expressivas figuras do enxovalhado centrão.

Em continuando com a legislação político/partidária que está aí a nossa representação congressual continuará fazendo o que sempre fez, ou seja, a sua maioria continuará a disposição dos governantes de plantão, bastando para tanto definir a que peço.  

A fragmentação da nossa representação congressual é o que levou o nosso país a precária governabilidade, a despeito das mil e uma negociatas que são estabelecidas, e pior será, enquanto não for feita uma radical mudança no nosso sistema político-partidário.

A polarização Lula/Bolsonaro e a morte prematura de um candidato da 3ª via decorre exatamente da fragmentação partidária do nosso Congresso Nacional, esta por sua vez, feita uma biruta de aeroporto, cujo movimento se dar ao sabor dos ventos. A propósito: se o ex-presidente Lula vier se eleger, tanto o PL e quanto o PP, os bolsonaristas de hoje, serão os lulistas de amanhã.

.  Quantos? Não sei.

.  Qual o seu vice e qual será o candidato a senador que comporão a parceria com o governador Gladson Cameli?

A definição dos candidatos a vice-governador e seus respectivos candidatos ao senador, em todos os estados do Brasil, já se transformaram do que poderíamos chamar da mais terrível dor de cabeça dos candidatos a governador, e aqui no Acre, não será diferente.

Meia dúzia pretende ser candidato a vice na chapa do governador Gladson Cameli e outra meia dúzia pretende lhe fazer companhia como candidato ao senado. Decerto, uma coisa: as definições não serão fáceis e o tempo está se tornando cada vez mais curto. Outro não será o maior desafio a ser enfrentado pelo governador Gladson Cameli e a provar que sim, a própria estrutura que o sagrou vencedor nas eleições de 2018 já se encontra bastante destroçada.

Seu vice-governador, Major Rocha, de mala e cuia já o abandou e não existe a menor possibilidade de reaproximação e menos ainda de recomposição.  O senador Sérgio Petecão já está em campanha e na condição do seu concorrente. O MDB já declarou que terá candidatura própria ao governo, isto na pessoa da deputada federal Mara Rocha e muito certamente apoiada pelo ex-deputado estadual Wagner Sales, um cabo eleitoral do tipo peso-pesado, sobretudo, no Vale do Juruá.

A deputada federal Wanda Milani, ao que se comenta, poderá se tornar candidata a senadora compondo a chapa do já declarado candidato a governador, Sérgio Petecão.

Ainda aguardando que rumo tomará, mas já tendo montado uma hiper-estrutura partidária, o senador Márcio Bittar não abre mãos de ter a sua esposa, sua homônima, Márcia Bittar, como candidata ao senado. Esta incógnita logo mais será conhecida.

Do PT, o governador Gladson Cameli terá a mais duríssima oposição e muito provavelmente, numa composição com o PSB e o PC do B, poderão se unir em torno da candidatura do deputado estadual, Dr. Janilson, ao governo.

Eu, particularmente, por mais que tenha feito as minhas mais cuidadosas avaliações, não antevejo no que resultará as nossas futuras eleições, tantas são as indefinições e poucas são as aparentes vantagens entre os candidatos.

Sobre a reeleição do governador Gladson Cameli o somatório de erros políticos que ele já cometeu poderá levá-lo a derrota, pois não basta o seu carisma pessoal para levá-lo a vitória. 

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