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Pior

Vê-se cercado de puxa sacos é a pior e mais nociva forma de um governante sair da solidão.

Maquiavel denominava os governantes de príncipes, e em relação aos seus puxa sacos ele dizia que se tratava de uma das pragas que só os príncipes prudentes conseguiriam se livrar, ainda assim, tendo de tomar todos os cuidados, isto porque, os bajuladores são sempre muito agradáveis e só falam aquilo que agrada aos ouvidos do príncipe.   Em pressentindo que o governante tenha feito dos seus ouvidos um penico, os puxa sacos passam a ter franco acesso aos palácios e  lugar assegurado em sua agenda. Neste particular, eis a pergunta que não pode calar: para que servem os penicos?  Diz a soberania popular: nada pior do que ser mal acompanhado. E é. Não há registro em toda a história de um governante que tenha tido sucesso quando se satisfaz por falsos elogios. Santo Agostinho já dizia: “prefiro quem me critica porque me corrige, do que quem me bajula porque me corrompe”. 

Mais ainda: são nos momentos de maiores sofreguidões dos governantes que os puxa sacos mais se aproximam do príncipe de plantão, pois já chegam trazendo na ponta da língua uma das mais engraçadas piadas, e quando não, uma série de fuxicos, em geral, dando conta da traição de alguém com quem o príncipe o tinha e era tido na melhor confiança. Quantos governantes trocaram seus velhos amigos pelos puxa sacos de ocasião e ao deixar o poder perdeu ambos? A fidelidade de tal praga nunca foi e nem será pessoal, e sim, com quem detiver o poder. Aqui no Acre, com relativa facilidade poderíamos citar uma dezena de puxa sacos, alguns deles, do tipo proxeneta. Certa vez o então governador Orleir Cameli, por quem tinha o maior respeito e amizade recebeu um desses canalhas, embora não fosse o seu estilo, e reportando-se a mim, o dito cujo havia lhes comunicado que eu havia feito uma grave acusação contra a sua gestão. De pronto o governador Orleir Cameli pediu a sua secretaria que me convocasse para ouvir a acusação que o referido havia feito.  Em lá chegando o canalha se fez de mudo e amarelou, e por alguns minutos saiu-se com essa: esta história ouviu de um sujeito que freqüentemente se faz presente no rol da Assembléia Legislava e cujo nome sequer me vem à mente. 

Por último: o governante que faz dos seus ouvidos um penico que se prepare para vê-se cheio de porcarias, afinal de contas, outra não é a finalidade dos penicos. 

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