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Incômodo vazio

O Brasil nunca esteve tão deserto de líderes, portanto,  nada mais desanimador para a nossa própria democracia.

         Em percebendo que o combate a corrupção poderia lhes render um singular e espetacular prestígio, e ainda não satisfeitos com o sucesso que já haviam alcançados, os integrantes da Operação Lava-jato, a se destacar, o então juiz Sérgio Moro e o procurador da República, Delton/Dallagnol, passaram a responsabilizar a nossa corrupção como sendo a causa, única e determinante, de todas as nossas crises. Tipo assim: finda a corrupção, as soluções dos nossos problemas facilmente seriam encontradas. Nada mais falso, porém bastante compreensível para os milhões de brasileiros que as levas iam sendo despedidos dos seus postos de trabalhos. No ano de 2015, praticamente a metade da nossa população economicamente ativa encontrava-se desempregada ou subempregada, e o pior, e sem perspectiva de se libertarem de tão angustiante tragédia.  

         Embora diversos fatores tenham contribuído para a agudeza das nossas mais diversas crises, em nome de um falso moralismo, de pronto, tudo era posto na conta da corrupção que havia tomado de conta do nosso país, e a partir de então, e de forma crescente, teve início o assassinato das reputações, e de forma praticamente generalizada e indiscriminada, dos tantos quantos que compusessem a nossa classe política.

         Que a nossa corrupção havia atingido um nível inaceitável, de fato havia, entretanto, a terapêutica utilizada pela Operação Lava-Jato veio ser a pior possível, até porque, não seria criminalização da nossa classe política que iríamos encontrar as soluções para os nossos desafiadores problemas. Para tanto, bastaria lembrarmos no que resultou a Operação Mão Limpas, na Itália. Lá, por exemplo, a pretexto de se combater a corrupção as conseqüências foram simplesmente catastróficas, tanto política quanto economicamente, e em relação à corrupção, basta que se diga que por quase 10 anos, a Itália passou a ser comandado por Sílvio Berlusconi, como restou provado, além de fanfarrão, igualmente corrupto.

         Por se tratar do mais corrosivo cupim da nossa, e de qualquer República, particularmente, em seus aspectos morais, o combate a corrupção se faz absolutamente necessário e indispensável, conquanto o seu combate não se faça solitariamente, menos ainda, por quem busca a condição da salvador da pátria. O combate à corrupção, para que atinja os seus reais objetivos, precisa contar com o decisivo apoio dos nossos poderes constituídos, e também, do conjunto de nossa sociedade, e esta por sua vez, devidamente conscientizada e jamais contaminada por interesses políticos.

.        A disputa eleitoral de 2018, por exemplo, foi um péssimo exemplo, o pior de toda a nossa história, porquanto nos seus debates, os nossos eleiotres não assistiram nada além de um troca-troca de acusações.

         E para a sucessão de 2022, pelo andar da carruagem, ou mais precisamente, por falta de líderes a altura        de comandar a nossa República, as perspectivas permanecem desanimadoras.

 

 

 

 

 

 

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