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  A        Operação Lava-Jato caminha para ter o mesmo fim que teve a espetaculosa Operação Mãos Limpas. 

Num dos seus livros, em letras garrafais, o escritor Walfrido Warde, pretendeu mostrar, e mostrou com bastante proficiência, que o combate a corrupção, em qualquer país cuja corrupção tornara-se sistêmica, se mal conduzido, nem a combate e ainda pode resultar em sérios prejuízos para o próprio país. Vide o que aconteceu com a Operação Mãos Limpas. O seu mais visível e desastroso resultado foi à eleição de Sílvio Berlusconi para presidir a Itália, por longos anos, este por sua vez, o mais emblemático entre todos os corruptos que compuseram as máfias italianas. Na capa do referido livro, “O Espetáculo da Corrupção”, Walfrido Warde contextualizou: “Assim como o câncer, a corrupção é um mal devastador. Transforma o Estado e suas funções em produtos postos à venda no mercado. Contamina os três poderes, prejudica o desenvolvimento, aprofunda a desigualdade e afronta a dignidade das pessoas e do país. O enfrentamento deste  mal exige procedimentos que sejam capazes de evitar os efeitos colaterais do sistema criado para combatê-lo, entre eles, “a demonização da política, a destruição das empresas, a espetacularização e a desmoralização das instituições”. 
     
Lamentavelmente, da Operação Lava-Jato já podemos extrair duas inquestionáveis conclusões, ambas contrárias ao que dela esperávamos. Primeira: como nossa corrupção era sistêmica e como o sistema fora mantido, os corruptos apenas se adequaram a nova ordem e continuaram fazendo o que sempre fizeram - corrupção. Segundo, e certamente, a pior: nossa atividade política foi demonizada, inúmeras empresas foram destroçadas e as nossas instituições foram desmoralizadas. Bem disse Miguel de Cervantes: “elimine a causa e o efeito cessa”. Daí a pergunta que não pode calar: por que o todo-poderoso e prestigiadíssimo juiz Sérgio Moro não se insurgiu contra as causas geradoras da nossa corrupção?  De todos os males provocados pela Operação Lava-Jato, a demonização da nossa atividade política, foi o de maior gravidade, afinal de contas, em todas as sociedades democráticas, só e somente só, pela via política, suas crises poderão ser superadas, e neste particular, nos encontramos órfãos. Em primeiro lugar veio a demonização dos integrantes do PT e seguir, dos integrantes dos demais partidos: PMDB, PP, DEM, PTB, Solidariedade etc. Ultimamente, o PSDB está ocupando o seu epicentro. Vide as acusações que pesam contra suas principais estrelas: Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin, Marconi Pirillo, Beto Richa, entre outras. 

Volto a repetir: se mantido o nosso atual sistema político-partidário-eleitoral, mantido também restará o terreno em que a nossa corrupção aprofundará as suas raízes, ainda que mil Operações Lava-Jato aconteçam.        

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