Colunistas

Inadmissível

                                             O único feito do ex-juiz Sérgio, a frente da Operação Lava Jato foi transformar a sua obrigação numa qualidade.

         Quando o moralismo é sugerido como uma qualidade, e praticamente única, pelos tantos quantos exercem ou pretendem exercer uma função pública, via eleição ou por delegação, os resultados vêm logo a seguir, e são  sempre decepcionantes, isto porque, a médio e longo prazo, restará  suficientemente comprovado que não existe nada mais imoral que o falso moralismo, pior ainda, quando o farsante consegue o apoio quase que incondicional da imprensa, esta por sua vez monopolizada, como vem ser o nosso caso. Neste particular registre-se o artigo 220, § 5º da nossa Carta Magna, ou como dizia o saudoso Ulisses Guimarães, da nossa Constituição Cidadã, continua como letras mortas. A título de esclarecimentos vejamos o que diz o referido dispositivo: “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.

         De triste passado, já se vão mais de longos 90 anos que a nossa imprensa vem sendo monopolizada. Entre os anos 1930 e 1960, pelo magnata Assis Chateaubiand, e de lá para cá, pela família Marinho, presentemente, controladores do poderosíssimo Grupo Globo de Comunicação. Em nenhuma democracia que se preze, a exemplificar, a dos EUA, não existe nada parecido com o que acontece em nosso país. E o mais impressionante: o estupendo crescimento do Grupo Globo de Comunicação se deu entre os anos 1964/1984, período da chamada revolução de 64, no qual o seu controlador, o Dr. Roberto Marinho, era considerado como o único general civil do movimento que derrubou o governo do então presidente João Goulart.

         O editorial do jornal “O Globo” de 02 de abril de 1964, subscrito pelo próprio Dr. Roberto Marinho foi, sem dúvidas, a mais expressiva manifestação de apoio ao referido regime. Não é demais lembrar que o movimento das “diretas-já” só veio a ser lembrado pelo Grupo Globo de Comunicação quando o próprio regime já se encontrava em estado agonizante.

         Em defesa do monopólio que continua mantendo, acovardados e irresponsavelmente, os nossos poderes constituídos acabam se rendendo e atendendo os próprios interesses do Grupo Globo, isto porque, em fazendo uso da sua máquina de comunicação, o referido grupo induz a nossa sociedade a crer que a regulamentação dos nossos meios de comunicação tem como objetivo final a implantação da censura em nosso país.

         A Operação Lava-Jato e conseqüentemente o juiz Sérgio Moro só se tornou numa celebridade nacional graças ao apoio que lhes fora dado pelo Grupo Globo, a despeito das inúmeras arbitrariedades por ele praticadas no âmbito da Operação Lava-Jato, entre elas, o grampo ilegal em telefonemas da então presidente Dilma Rousseff, digamos assim, um crime de lesa-pátria.

         A mudez do hoje Ministro da Justiça Sérgio Moro em relação as revelações tornadas públicas pelo site The Intercept e a aprovação do juiz de garantias, diga-se de passagem, sem veto por parte do presidente Jair Bolsonaro, bem que se prestam para demonstrar a sua parcialidade e qual era real interesse do então juiz Sérgio Moro.

 

 

 

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