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A Moro de Saia

A juíza Selma Arruda largou a toga e virou senadora  sufando em duas ondas: o bolsonarismo e o morismo.

         As eleições de 2018 resultaram da indignação dos nossos eleitores com as velhas práticas da nossa classe política, porém de forma equivocada, isto porque, ao fim e ao cabo, em razão da sua generalização, para além de suas condenáveis práticas, a própria atividade política acabou sendo criminalizada.

.        Em sendo a indignação a mais comum das sensações humanas, e em relação ao comportamento dos nossos políticos, mais ainda, a brutal diferença que existe entre o que os nossos políticos, promessas em toneladas e feitos em miligramas, daí veio o descrença da nossa sociedade nos nossos representantes políticos, e em todos os seus níveis. 

         Como a indignação nunca foi uma boa conselheira, particularmente quando os eleitores a utilizam como chibata contra os maus políticos, pior ainda. Isto tem acontecido nas nossas últimas eleições, e em particular, nas eleições de 2018. Ainda assim, a despeito da sua velha e longeva, e não nova e curta vida política, pregando o novo na política, o presidente Jair Bolsonora conseguiu se eleger e ainda arrastou uma meia dúzia de governadores e dezenas de senadores, deputados federais e deputados estaduais.

         Outra característica essencial em qualquer democracia tem sido a vida e a coerência partidária dos candidatos. Neste particular, basta que se diga que em sua nômade existência partidária,  Jair Bolsonaro já havia pertencido a oito partidos, e só veio se filiar ao nanico PSL, a fim de cumprir uma das condições indispensáveis ao registro de sua candidatura.

.        A despeito da legitimidade e da legalidade da sua eleição, nos seus quase 30 anos enquanto deputado federal, o hoje presidente Jair Bolsonaro nunca conseguiu ascender do seu chamado baixo clero, o conjunto que abriga os mais inexpressivos integrantes da nossa Câmara de Deputados e nada tenha feito que merecesse ser destacado, a não ser, ser recorrentemente criticado por suas freqüentes excentricidades. Por exemplo: no ano de 2016, ao entrar na disputa para a presidência da Câmara dos Deputados, entre os 513 deputados federais ele só conseguiu obter quatro votos. Nas raras vezes que usava a tribuna da referida casa parlamentar, apenas enfatizava o seu desapreço aos partidos políticos e a própria democracia. Nalgumas vezes chegou a fazer apologia da tortura.

         Quando lançou a sua candidatura a presidência da República, ninguém apostava um tostão furado na possibilidade da sua eleição, sequer que ele conseguisse chegar ao 2º turno. E deu o que deu. 

         Quem também se deu otimamente bem nas eleições de 2018, foi a ex-juíza Selma Arruda. Além de bolsonarista ela criou para si, o apelido de Moro de Saia. Resultado: tornou-se a senadora mais votada no Estado do Mato Grosso. Sua única promessa: combater a corrupção.

.        Quanta ironia! A sua eleição se deu muito mais em razão da dinheirama que irrigou o seu caixa 2 que pelas suas pregações anti-corrupção. Resultado, pelos crimes cometidos no decorrer de sua campanha eleitoral, teve o seu mandato cassado pelo Tribunal Regional do Mato Grosso por 7x0 e  em grau de recurso por 6x1, no Tribunal Superior Eleitoral.

.        Por último: apesar do hoje ministro da justiça Sérgio Moro ter feito das tropas coração para salvar o mandado da sua homônoma de saia, ainda assim, não conseguiu.    

 

 

 

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