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Janela partidária

A abertura da janela que permitirá a fuga de quem se elegera por um partido e vir a se filiar-se a outro, é algo reprovável

          No próximo mês de abril, faltando apenas seis meses para as próximas eleições, será aberto uma janela que possibilitará aos atuais detentores de mandatos, segundo seus próprios interesses, trocarem de partido político sem que lhes seja acarretado o menor prejuízo.

           Bastaria esta concessão para explicar a causa determinante da nossa velha e continuada anarquia político/partidária/eleitoral, e porque não dizer, das nossas constantes e sistemáticas crises de natureza política. Nas democracias que se prezam, são a partir dos partidos políticos, e não dos arranjos partidários, que suas sociedades, e em particular, os seus eleitores se orientam, e mais ainda, àqueles que desejam participar do que deveria ser a nobilíssima atividade política.

          Aqui no Brasil, infelizmente, os partidos políticos muito tem deixado a desejar, e já há bastante tempo vêem se prestado como moeda de troca para os seus controladores, e não raramente, através de inescrupulosos arranjos. A propósito, mais de meia centena deles se encontram legalmente habilitados para entrar nas nossas disputas eleitorais, até mesmo para disputar a presidência da nossa República.

           No nosso país os partidos nascem e morrem, ou quando não trocam de nome e de sigla, numa constância que não acontece nem mesmo nas mais atrasadas republiquetas existentes mundo afora. Pior ainda: a cada nova eleição novas leis são estabelecidas, motivo o bastante para tornar os nossos partidos em algo de somenos importância, diria até, desprezíveis.

           Para além de todos os inconvenientes, ao ser reconhecido pelo nosso TSE-Tribunal Superior Eleitoral, o partido passa a ser financiado com recursos públicos e demais vantagens, e a partir de então, passam a funcionar como se fossem micro-empresas e com objetivos essencialmente lucrativos.

          Em tempo: vários dos atuais partidos existentes no nosso país sequer mereceriam assim ser tratados, porquanto deles, nada poderemos extrair no sentido de contribuir com o nosso aprendizado político. Nas eleições de 1989, a primeira eleição presidencial após a promulgação da nossa atual constituição, Fernando Collor de Melo veio ser eleito por um partido que atendia pela sigla PRN, até então, um dos muitos partidos sem a menor expressão popular e nem congressual. No nosso Congresso Nacional, nenhum dos nossos senadores e nenhum dos nossos deputados federais havia sido eleito pelo tal PRN. Resultado: o seu mandato fora interrompido em razão de um processo de impeachment, e o tal PRN, teve igual fim, ou seja, de pronto fora excluído da nossa legislação. 

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