Colunistas

Sob ameaça

Não somos a primeira e nem seremos a última democracia que encontra-se ameaçada.

  Quando em uma democracia os adversários se tornam inimigos, sem dúvidas, é a sua própria sua democracia que acabará sendo vitimada. Pior ainda, quando os inimigos de uma disputa eleitoral se tornam amigos da próxima, ou vice-versa. A propósito, outra não tem sido a causa das mortes de várias democracias. Não por caso, sua mais destacada beleza é a alternância do poder, pois só e somente só nas ditaduras o poder é mantido nas mãos de uma única e isolada pessoa, e sem prazos determinados.   

  Em relação a nossa democracia, desde a aprovação da nossa atual constituição, a alternância dos poderes derivados da nossa atividade política tem se dado em absoluta obediência ao nosso calendário eleitoral, entretanto, em clima de guerra, e enquanto assim se mantiver, nossa democracia continuará sendo ameaçada.  

  Presentemente, no plano federal, as perspectivas em relação às eleições de 2022 são as piores possíveis, seja pela polarização “esquerda/direita”, esta representada pelo ex-presidente Lula e o atual presidente Jair Bolsonaro, e mais ainda, pela fragmentação do nosso chamado centro político, posto que, com mais de meia dúzia de presidenciáveis centristas, caso não consigam chegar a um denominador comum, nenhum deles  conseguirá chegar ao segundo turno.

  Ora, se nem mesmo os pré-candidatos centristas a presidência da nossa conseguem determinar o seu próprio centro, por certo, só irão favorecer o que tanto condenam, no caso, a polarização Bolsonaro/Lula. A eleição do então presidente Fernando Collor, em 1989, e a mais recente, a do presidente Jair Bolsonaro, resultaram da nossa indisciplinada atividade e da nossa anárquica estruturação político/partidário.

  A despeito da nossa anarquia sobram propostas visando reformar a nossa constituição e grande parte das nossas leis infraconstitucionais, quando a aprovação de todas elas depende daquela que deveria ser mãe de todas elas, no caso, a reforma política, até porque, com um congresso nacional, tal qual o nosso, composto por representantes de mais de 25 partidos políticos, a nossa governabilidade continuará comprometida, e não apenas no plano federal, sim e também, nos níveis estaduais e municipais.

 Como os exemplos bons ou maus, vêm sempre de cima, a disputa pelos governos das nossas 27 unidades federadas, também se darão em clima de guerra, exemplificar a que se prenuncia nas mais importantes delas, em destaque, no Estado de São Paulo.

  Estamos nos aproximando do meio milhão de mortes pela Covid-19 e a CPI em curso, no senado, corre o sério risco de se transformar numa versão piorada do vírus que vem ameaçando a nossa democracia.

Artigos Publicados

Autonomia médica

Bons tempos, àqueles.

Glorioso, certamente

Estamos fatigados

866 mortes/dia.