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Inevitável

A pior das pragas que os governantes têm dificuldades de enfrentar são os bajuladores. E contra eles só há uma vacina.  

Em “O príncipe”, a sua mais importantíssima e recorrente obra, Maquiavel destacou o capitulo XXIII para tratar dos bajuladores, segundo ele, uma praga sempre presente nas cortes e que só com muita dificuldade os príncipes, como assim denominava os governantes, conseguem escapar deles, isto porque, os homens, sobretudo os governantes, têm tanto prazer e se iludem tanto com o que os bajuladores lhes dizem que com muita dificuldade conseguem escapar de tais pragas. 

Para os governantes se defenderem dos aduladores não há outra forma que não seja a de fazer com que eles só lhes falem a verdade, ainda assim, quando interrogados e apenas sobre o que lhes for perguntado. Assim agem os governantes prudentes, àqueles que preferem ouvir o que lhes sejam úteis e não apenas agradáveis. 

A competência de um governante é diretamente proporcional a competência dos seus conselheiros e inversamente proporcional a dos bajuladores que os cercam. Bem entendido: a escolha dos seus conselheiros é uma atribuição privativa dos governantes.  

Segundo Santo Agostinho é preferível as críticas que corrigem que as bajulações que corrompem, mas ao não se aperceberem de tão importantíssimo ensinamento, este tem sido um dos mais prejudiciais erros que os nossos governantes freqüentemente têm cometido. 

 A baixeza mais vergonhosa é a adulação, disse Francis Bacon, posto que, rebaixa ambos, inclusive o adulado, este por não se opor a circulação de uma moeda falsa. Àqueles que bajulam os governantes de hoje, são os mesmos que bajularão os governantes de ontem, e não raramente, passaram a agredir àqueles que se foram.   

As amizades que decorrem em razão do poder têm prazo de validade e vencem-se imediatamente quando por força da alternância, o poder troca de mãos. Já vive o bastante para ter assistido como diversas trocas ocorreram e em elevadíssimo grau de cinismo. 

Eu, particularmente, busco valorizar as minhas amizades sempre que percebo as falsidades de muitos que se diziam fraternais amigos e até proclamavam suas amizades em forma de juramento.  Portanto, quando vejo o poder cair em outras mãos, esquecem-se dos velhos amigos e em debandadas saiam em buscas de novos amigos, pois neste particular os bajulares cumpre o mesmíssimo ritual. 

 Volto a repetir: os bajuladores são uma praga que só sendo prudente  os governantes, a quem Maquiavel chamava de príncipe, conseguem livrar-se de tais pragas.  

 

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