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To be or not to be

Entre o otimismo e o pessimismo uma coisa é certa: a realidade acabará se impondo.                      

         A expressão “to be or not to be”, traduzindo-a, “ser ou não ser”, surgiu na peça A Tragédia de Hamlet, pronunciada por Willian Shakespeare, e a propósito, continua útil e atual quando se tem que tomar uma de decisão superlativamente complexa e de difícil solução. Como a vida do personagem Hamlet encontrava-se cheia de tormentos e sofrimentos ele pensou em se suicidar. Todavia, sua consciência o afastou de tal tendência, quando o próprio passou a temer o que viria após sua morte. Este vem ser exatamente o dilema que vive as democracias, e em particular, a nossa. À propósito, o best-seller mundial,  “Como as democracias morrem”, tratam deste assunto. 

          Em relação a nossa democracia, a continuar a criminalização dos nossos partidos políticos e os assassinatos em massa dos nossos políticos, sua morte é certa. E o mais grave: contando com o apoio considerável de grande parte da nossa população, afinal de contas, a nossa grande mídia em muito tem contribuído, com seus espetáculos, para criminalizá-la.        

         Entre o pessimismo e o otimismo, sempre busquei ser otimista, contudo,  diante de tantas e seguidos massacres contra a atividade política, optei por ser realista e quedei-me a realidade, afinal de contas, ao fim e ao cabo, nua e cruamente, ela acabará se impondo. Todavia confesso as minhas constantes preocupações, ao assistir, de forma freqüente e continuada, o assassinato em massa da nossa atividade política. Neste particular, a Operação Lava-Jato foi determinante. Para tanto, bastaria que um delator sugerisse o nome de um político, em princípio se petista, e logo a seguir, de qualquer partido, para no mesmo dia, o seu nome virar manchete no Jornal Nacional da TV-Globo e já na condição de corrupto.

.        O bem que a Operação Lava-Jato poderia haver legado a nossa democracia quando tornou público o diagnóstico de uma das mais graves ameaça a nossa democracia, no caso, a nossa endemia corrupção, não poderia ser mais oportuno. Entretanto, em relação à terapêutica utilizada, os resultados foram catastróficos. Política e economicamente, a Operação Lava-Jato fez com o Brasil o que a Operação Mãos Limpas fez com a Itália.

         Acabar matando a vaca a pretexto de matar os carrapatos que sugam o seu sangue, a propósito, tem sido o tratamento que, em nome do combate à corrupção vem sendo dado à nossa democracia. E por quê? Simples assim: Porque de um sistema político-eleitoral eminentemente viciado e corrupto, o que haveremos de esperar, a não ser, a sua continuidade.

         Já nas eleições do próximo ano, com a criação do fundo eleitoral e com toda a sua dinheirama sendo rateada segundo os interesses dos dirigentes partidários, certamente, teremos mais candidatos do tipo “laranja”, que candidaturas propriamente ditas.

         Se a nossa Justiça Eleitoral não impuser regras quando a distribuição dos recursos do fundo eleitoral e do fundo partidário, e ainda por cima, tornando-as públicas, as eleições do próximo ano e as que se seguirão, serão ainda mais fraudulentas que as anteriores.   

 

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